Livro 1 — Capítulo VI A Lenda de Ulenspiegel · Capítulo 6 de 182
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Livro 1 — Capítulo VI

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Levaram Ulenspiegel ao batismo; de repente caiu uma chuva que o molhou por completo. Assim foi batizado pela primeira vez.

Quando entrou na igreja, o padrinho, a madrinha, o pai e a mãe ouviram do sacristão, que também era mestre-escola, que deviam colocar-se ao redor da pia batismal, e assim fizeram.

Mas havia na abóbada, acima da pia, um buraco aberto por um pedreiro para nele pendurar uma lâmpada presa a uma estrela de madeira dourada. O pedreiro, olhando de cima para o padrinho e a madrinha, imóveis ao redor da pia coberta por sua tampa, despejou pelo buraco da abóbada um pérfido balde de água que, caindo entre eles sobre a tampa da pia, levantou um grande esparrame. Mas Ulenspiegel recebeu a maior parte. E assim foi batizado pela segunda vez.

Veio o deão. Eles se queixaram, mas ele lhes disse que se apressassem e que aquilo fora um acidente. Ulenspiegel esperneava por causa da água que lhe caíra em cima. O deão deu-lhe o sal e a água e chamou-o Thylbert, nome que significa “rico em movimentos”. Assim foi batizado pela terceira vez.

Saindo de Nossa Senhora, entraram, diante da igreja, na rua Longa, na estalagem do Rosário das Garrafas, onde uma bilha fazia as vezes de credo. Ali beberam dezessete pintas de dobbel kuyt e ainda mais. Pois, nas Flandres, a verdadeira maneira de secar gente molhada é acender um fogo de cerveja na pança. Assim Ulenspiegel foi batizado pela quarta vez.

Voltando para casa e ziguezagueando pelo caminho, com a cabeça mais pesada do que o corpo, chegaram a uma pontezinha lançada sobre uma pequena lagoa. Katheline, que era madrinha e levava a criança, deu um passo em falso e caiu na lama com Ulenspiegel, que assim foi batizado pela quinta vez.

Mas tiraram-no da lagoa para lavá-lo com água quente na casa de Claes, e esse foi seu sexto batismo.

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