Livro 5 — Capítulo V
Livro 5 — Capítulo V
Tendo chegado dezembro, o mês das longas trevas, Ulenspiegel cantou:
Monsenhor Sua Grande Alteza
Levanta a máscara,
Querendo reinar sobre o país belga.
Os Estados espanholizados,
Mas não angevinizados,
Dispõem dos impostos.
Batei o tambor
Da derrota angevina.
Têm à sua disposição
Domínios, impostos e rendas,
A nomeação dos magistrados
E também os cargos.
Ele investe contra os reformados,
O Senhor Sua Grande Alteza,
Que passa por ateu na França.
Oh, derrota angevina!
É que ele quer ser rei
Pela espada e pela força,
Rei absoluto para valer,
Esse Monsenhor e Grande Alteza.
É que deseja tomar por traição
Várias belas cidades e até Antuérpia;
Signorkes e pagaders levantaram-se cedo.
Oh, derrota angevina!
Não é contra ti, França,
Que se lança este povo enlouquecido de raiva;
Esses golpes de armas mortíferas
Não ferem teu nobre corpo.
E não são teus filhos
Cujos cadáveres amontoados
Enchem a porta de Kip-Dorp.
Oh, derrota angevina!
Não, não são teus filhos
Que o povo lança das muralhas.
É Sua Grande Alteza de Anjou,
Anjou, o devasso passivo,
França, vivendo de teu sangue
E querendo beber o nosso.
Mas entre a taça e os lábios...
Oh, derrota angevina!
O Senhor Sua Grande Alteza,
Numa cidade sem defesa,
Gritou: “Matai! Matai! Viva a missa!”
Com seus belos favoritos,
De olhos onde brilha
O fogo vergonhoso, insolente e inquieto
Da luxúria sem amor.
Oh, derrota angevina!
É a eles que se golpeia, e não a ti, pobre povo,
Sobre quem eles pesam com impostos,
Gabelas, talhas e desfloramentos,
Desprezando-te e fazendo-te entregar
Teu trigo, teus cavalos e teus carros,
Tu que és para eles um pai.
Oh, derrota angevina!
Tu, que és para eles uma mãe,
Amamentando os desregramentos
Desses parricidas que maculam
Teu nome no estrangeiro, França, que te alimentas
Dos vapores de sua glória,
Quando acrescentam,
Por façanhas selvagens...
Oh, derrota angevina!
Um florão à tua coroa militar,
Uma província ao teu território.
Deixa ao galo estúpido “Luxúria e batalha”;
O pé sobre a garganta,
Povo francês, povo de machos,
O pé que os esmaga!
E todos os povos te amarão
Pela derrota angevina.