Livro 3 — Capítulo XXXII
Livro 3 — Capítulo XXXII
Ulenspiegel via frequentemente em Gante Jacob Scoelap, Lieven Smet e Jan de Wulfschaeger, que lhe traziam notícias da boa e da má fortuna do Taciturno.
E cada vez que Ulenspiegel voltava a Destelbergh, Lamme perguntava:
— Que trazes? Felicidade ou desgraça?
— Ai! — dizia Ulenspiegel. — O Taciturno, seu irmão Ludwig, os outros chefes e os franceses estavam resolvidos a avançar mais pela França e unir-se ao príncipe de Condé. Assim salvariam a pobre pátria belga e a consciência livre. Deus não quis. Os reiters e lansquenetes alemães recusaram-se a prosseguir e disseram que seu juramento era combater o duque de Alba, não a França. Depois de suplicar-lhes em vão que cumprissem o dever, o Taciturno foi obrigado a conduzi-los pela Champagne e pela Lorena até Estrasburgo, de onde voltaram à Alemanha. Tudo fracassa por causa dessa partida repentina e obstinada. O rei da França, apesar do contrato firmado com o príncipe, recusa-se a entregar o dinheiro prometido. A rainha da Inglaterra quisera enviá-lo para recuperar a cidade e a região de Calais; suas cartas foram interceptadas e entregues ao cardeal de Lorena, que forjou uma resposta contrária. Assim vemos dissolver-se como fantasmas ao canto do galo esse belo exército, nossa esperança. Mas Deus está conosco, e, se a terra falhar, a água fará sua obra. Viva o Mendigo!