Livro 2 — Capítulo XIII A Lenda de Ulenspiegel · Capítulo 98 de 182
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Livro 2 — Capítulo XIII

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Ali, Lamme procurou sua mulher em todos os kaberdoesjen, musicos e tavernas. À noite, encontrava Ulenspiegel no In den zingende Zwaan, o Cisne Cantante. Ulenspiegel ia a toda parte onde podia, espalhando o alarme e incitando o povo contra os carrascos da terra dos pais.

Estando no Mercado de Sexta-feira, perto de Dulle-Griet, o Grande Canhão, Ulenspiegel deitou-se de bruços sobre o calçamento.

Um carvoeiro aproximou-se e lhe perguntou:

— Que fazes aí?

— Molho o nariz para saber de onde vem o vento — respondeu Ulenspiegel.

Veio um carpinteiro.

— Tomas o calçamento por colchão? — perguntou.

— Em breve haverá quem o tome por cobertor — respondeu Ulenspiegel.

Um monge parou.

— Que faz aí esse bezerro? — perguntou.

— Deitado de bruços, pede vossa bênção, meu padre — respondeu Ulenspiegel.

O monge lhe deu a bênção e partiu.

Ulenspiegel então encostou o ouvido ao chão. Veio um camponês.

— Ouves algum ruído lá embaixo? — perguntou-lhe.

— Sim — respondeu Ulenspiegel. — Escuto crescer a madeira cujos feixes servirão para queimar os pobres hereges.

— Não ouves mais nada? — perguntou-lhe um sargento da comuna.

— Ouço — disse Ulenspiegel — a soldadesca que vem da Espanha. Se tens alguma coisa para guardar, enterra-a, pois em breve as cidades já não estarão seguras por causa dos ladrões.

— Ele é louco — disse o sargento da comuna.

— Ele é louco — repetiram os burgueses.

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