Livro 1 — Capítulo XIV A Lenda de Ulenspiegel · Capítulo 14 de 182
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Livro 1 — Capítulo XIV

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Quando voltou para casa montado no burro, trazendo uma bolsa cheia de patards que o irmão Josse lhe dera e também uma bela caneca de estanho inglês, houve na choupana banquetes dominicais e festas diárias, pois comiam todos os dias carne e favas.

Claes enchia de dobbel-kuyt e esvaziava frequentemente a grande caneca de estanho inglês.

Ulenspiegel comia por três e revolvia os pratos como pardal num monte de grãos.

— Vejam — disse Claes —, agora ele come até o saleiro.

Ulenspiegel respondeu:

— Quando, como acontece aqui em casa, o saleiro é feito de um pedaço de pão escavado, é preciso comê-lo de vez em quando, para que, envelhecendo, não crie vermes.

— Por que — perguntou Soetkin — limpas as mãos engorduradas nos calções?

— Para nunca ter as coxas molhadas — respondeu Ulenspiegel.

Dito isso, Claes bebeu um grande trago de cerveja na caneca.

Ulenspiegel lhe perguntou:

— Por que tens uma caneca tão grande, enquanto eu só tenho um copinho miserável?

Claes respondeu:

— Porque sou teu pai e o mestre desta casa.

Ulenspiegel tornou:

— Bebes há quarenta anos, eu só há nove. Teu tempo de beber passou, o meu chegou. Portanto, cabe a mim ficar com a caneca e a ti tomar o copinho.

— Filho — disse Claes —, jogaria a cerveja no regato aquele que pretendesse despejar a medida de um tonel dentro de um pequeno barril.

— Então serás sábio se despejares teu barril dentro do meu tonel, pois sou maior do que tua caneca — respondeu Ulenspiegel.

E Claes, alegre, deu-lhe a caneca para esvaziar.

Foi assim que Ulenspiegel aprendeu a falar para beber.

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