Livro 4 — Capítulo XXI
Livro 4 — Capítulo XXI
Depois de tomarem Rammekens, Gertruydenberg e Alckmaer, os Mendigos regressam a Flessingue.
Nele, curada, esperava Ulenspiegel no porto.
— Thyl — disse ela ao vê-lo —, meu amigo Thyl, não estás ferido?
Ulenspiegel cantou:
Escrevi “Viver” em meu pendão,
Viver sempre sob a luz:
De couro é minha pele primeira,
De aço minha segunda pele.
— Ai! — dizia Lamme, arrastando a perna. — Balas, granadas e projéteis acorrentados chovem ao redor dele, e ele só sente o vento. Deves ser espírito, Ulenspiegel, e tu também, Nele, pois sempre vos vejo alegres e jovens.
— Por que arrastas a perna? — perguntou Nele a Lamme.
— Não sou espírito e jamais o serei — respondeu ele. — Por isso recebi um golpe de machado na coxa. Minha mulher a tinha tão redonda e tão branca! Vê, estou sangrando. Ai! Quem me dera tê-la aqui para cuidar de mim.
Mas Nele, zangada, respondeu:
— Que necessidade tens de uma mulher perjura?
— Não fales mal dela — respondeu Lamme.
— Toma — disse Nele —, aqui está bálsamo. Eu o guardava para Ulenspiegel. Passa-o na ferida.
Lamme, tendo tratado o ferimento, ficou alegre, pois o bálsamo fez cessar a dor ardente. E os três tornaram a subir ao navio.
Vendo o monge passear ali com as mãos atadas, Nele perguntou:
— Quem é este? Já o vi e creio reconhecê-lo.
— Vale cem florins de resgate — respondeu Lamme.