Livro 1 — Capítulo LXXXIII A Lenda de Ulenspiegel · Capítulo 83 de 182
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Livro 1 — Capítulo LXXXIII

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Passadas três vezes as duas semanas e igualmente os cinco dias, o diabo amante não voltou.

Katheline, contudo, vivia sem perder a esperança.

Soetkin já não trabalhava. Permanecia sempre diante do fogo, tossindo e curvada.

Nele dava-lhe as melhores e mais perfumadas ervas, mas remédio algum tinha poder sobre ela.

Depois aconteceu que a viúva já não conseguia comer nem beber sem vomitar.

Veio o cirurgião-barbeiro e tirou-lhe sangue.

Depois da sangria, ela ficou tão fraca que já não conseguiu deixar o banco.

Por fim, ressequida pela dor, disse certa noite:

— Claes, meu homem! Thyl, meu filho! Obrigada, Deus, que me levas!

E, suspirando, morreu.

Katheline não ousou velá-la.

Ulenspiegel e Nele fizeram-no juntos e, durante toda a noite, rezaram pela morta.

Ao amanhecer, entrou pela janela aberta uma andorinha.

Nele disse:

— O pássaro das almas. É bom presságio: Soetkin está no céu.

A andorinha deu três voltas pelo aposento e partiu, soltando um grito.

Depois entrou uma segunda andorinha, maior e mais negra que a primeira.

Voou ao redor de Ulenspiegel, e ele disse:

— Pai e mãe, as cinzas batem sobre meu coração. Farei o que pedis.

E a segunda partiu, gritando como a primeira.

O dia tornou-se mais claro.

Ulenspiegel viu milhares de andorinhas voando rente aos prados.

E o sol nasceu.

Soetkin foi enterrada no Campo dos Pobres.

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