Livro 3 — Capítulo XV
Livro 3 — Capítulo XV
Estavam então no fim de outubro. Faltava dinheiro ao príncipe, e seu exército tinha fome. Os soldados murmuravam.
Ele marchou em direção à França e ofereceu batalha ao duque, que não a aceitou.
Partindo de Quesnoy-le-Comte para seguir em direção ao Cambrésis, encontrou dez companhias de alemães, oito estandartes de espanhóis e três cornetas de cavalaria ligeira, comandadas por don Ruffele Henricis, filho do duque, que se encontrava no centro da batalha e gritava em espanhol:
— Matai! Matai! Sem quartel! Viva o papa!
Don Henricis estava então diante da companhia de arcabuzeiros na qual Ulenspiegel era chefe de dezena e lançava-se contra eles com seus homens.
Ulenspiegel disse ao sargento da companhia:
— Vou cortar a língua daquele carrasco.
— Corta — disse o sargento.
E Ulenspiegel, com uma bala bem disparada, despedaçou a língua e a mandíbula de don Ruffele Henricis, filho do duque.
Ulenspiegel também derrubou do cavalo o filho do marquês Delmarès.
Os oito estandartes e as três cornetas foram vencidos.
Depois dessa vitória, Ulenspiegel procurou Lamme no acampamento, mas não o encontrou.
— Ai! — disse ele. — Foi-se embora meu amigo Lamme, meu amigo gordo. Em seu ardor guerreiro, esquecendo o tamanho da pança, terá querido perseguir os espanhóis em fuga. Sem fôlego, terá caído como um saco no caminho. E eles o terão recolhido para cobrar resgate, resgate de toucinho cristão. Meu amigo Lamme, onde estás? Onde estás, meu amigo gordo?
Ulenspiegel procurou-o por toda parte e, não o encontrando, remoía melancolia.