Livro 1 — Capítulo LXI A Lenda de Ulenspiegel · Capítulo 61 de 182
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Livro 1 — Capítulo LXI

Livro 1 — Capítulo LXI

Soetkin e Nele estavam sentadas junto a uma das janelas da choupana, olhando para a rua.

Soetkin dizia a Nele:

— Bela menina, não vês chegar meu filho Ulenspiegel?

— Não — respondia Nele. — Nunca mais veremos esse vagabundo perverso.

— Nele — dizia Soetkin —, não deves ficar zangada com ele, mas ter pena, pois o pequeno homem está longe de casa.

— Sei muito bem — dizia Nele. — Ele tem outra casa, muito distante daqui e mais rica que a sua, onde alguma bela dama sem dúvida lhe dá alojamento.

— Isso seria uma felicidade para ele — dizia Soetkin. — Talvez ali o alimentem com hortulanas.

— Por que não lhe dão pedras para comer? Assim voltaria depressa, o glutão! — dizia Nele.

Soetkin então ria e perguntava:

— De onde te vem, bela menina, tamanha cólera?

Mas Claes, que também pensativo atava feixes num canto, dizia:

— Não vês que ela está louca por ele?

— Vejam só — dizia Soetkin — a astuta dissimulada que nunca me disse palavra! É verdade, bela menina, que o desejas?

— Não acrediteis nisso — dizia Nele.

— Terás aí — disse Claes — um valente marido, de boca grande, ventre vazio e língua comprida, transformando florins em liards e nunca ganhando um soldo com o próprio trabalho, sempre batendo as ruas e medindo os caminhos com a vara da vagabundagem.

Mas Nele respondeu, toda vermelha e irritada:

— Por que não fizestes dele outra coisa?

— Eis que agora ela chora — disse Soetkin. — Cala-te, meu homem!

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