Livro 4 — Capítulo XV
Livro 4 — Capítulo XV
O rei de sangue soube das notícias de suas vitórias. A morte já devorava o carrasco, e ele tinha o corpo cheio de vermes. Caminhava pelos corredores de Valladolid miserável e feroz, arrastando os pés inchados e as pernas de chumbo. Nunca cantava, o tirano cruel. Quando o dia nascia, não ria. Quando o sol iluminava seu império como um sorriso de Deus, não sentia alegria alguma no coração.
Mas Ulenspiegel, Lamme e Nele cantavam como pássaros, arriscavam a pele, Lamme e Ulenspiegel, e a pele branca, Nele; viviam cada dia como vinha e se alegravam mais por uma fogueira apagada pelos Mendigos do que o rei negro se alegrava com o incêndio de uma cidade.
Nesse tempo, Guilherme, o Taciturno, príncipe de Orange, destituiu do posto de almirante o senhor de Lumey de la Marck, por causa de suas grandes crueldades. Nomeou em seu lugar o senhor Bouwen Ewoutsen Worst. Procurou igualmente meios de pagar o trigo tomado pelos Mendigos aos camponeses, restituir-lhes as contribuições forçadas e conceder aos católicos romanos, como a todos, o livre exercício de sua religião, sem perseguição nem infâmia.