Livro 2 — Capítulo XIV
Livro 2 — Capítulo XIV
Entretanto, Lamme já não comia, pensando no doce sonho da escada da Blauwe-Lanteern. Como seu coração o puxava para Bruges, Ulenspiegel precisou levá-lo à força para Antuérpia, onde ele continuou suas dolorosas buscas.
Nas tavernas, em meio a bons Flamengos reformados e até a católicos amigos da liberdade, Ulenspiegel lhes dizia, a respeito dos editos:
— Trazem-nos a Inquisição sob o pretexto de nos purgar da heresia, mas é às nossas bolsas que servirá esse ruibarbo. Só gostamos de ser medicados como nos aprouver. Ficaremos furiosos, nos revoltaremos e tomaremos as armas. O rei sabia disso de antemão. Vendo que não queremos o ruibarbo, fará marchar as seringas, isto é, os grandes e pequenos canhões, serpentinas, falconetes e peças curtas de bocas enormes. Lavagem real! Não restará um único Flamengo rico nas Flandres assim medicadas. Felizes nossos países por terem médico tão régio.
Mas os burgueses riam.
Ulenspiegel dizia:
— Ride hoje, mas fugi ou armai-vos no dia em que quebrarem alguma coisa em Nossa Senhora.