Livro 3 — Capítulo XVI
Livro 3 — Capítulo XVI
Em novembro, o mês das tempestades de neve, o Taciturno mandou chamar Ulenspiegel.
O príncipe mordiscava o cordão de sua camisa de malha.
— Escuta e compreende — disse ele.
Ulenspiegel respondeu:
— Meus ouvidos são portas de prisão; entra-se facilmente por eles, mas sair é tarefa difícil.
O Taciturno disse:
— Vai por Namur, Flandres, Hainaut, Brabante do Sul, Antuérpia, Brabante do Norte, Gueldre, Overyssel e Holanda do Norte, anunciando em toda parte que, se a fortuna trair em terra nossa causa santa e cristã, a luta continuará no mar contra toda violência iníqua. Deus dirige com toda a sua graça essa causa, na felicidade ou na desgraça. Quando chegares a Amsterdã, prestarás contas de teus atos a Paul Buys, meu fiel. Aqui tens três salvo-condutos assinados pelo próprio Alba e encontrados sobre os cadáveres em Quesnoy-le-Comte. Meu secretário os preencheu. Talvez encontres no caminho algum bom companheiro em quem possas confiar. São bons aqueles que respondem ao canto da cotovia com o clarim guerreiro do galo. Aqui tens cinquenta florins. Serás valente e fiel.
— As cinzas batem sobre o meu coração — respondeu Ulenspiegel.
E partiu.