Livro 3 — Capítulo XVI A Lenda de Ulenspiegel · Capítulo 120 de 182
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Livro 3 — Capítulo XVI

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Em novembro, o mês das tempestades de neve, o Taciturno mandou chamar Ulenspiegel.

O príncipe mordiscava o cordão de sua camisa de malha.

— Escuta e compreende — disse ele.

Ulenspiegel respondeu:

— Meus ouvidos são portas de prisão; entra-se facilmente por eles, mas sair é tarefa difícil.

O Taciturno disse:

— Vai por Namur, Flandres, Hainaut, Brabante do Sul, Antuérpia, Brabante do Norte, Gueldre, Overyssel e Holanda do Norte, anunciando em toda parte que, se a fortuna trair em terra nossa causa santa e cristã, a luta continuará no mar contra toda violência iníqua. Deus dirige com toda a sua graça essa causa, na felicidade ou na desgraça. Quando chegares a Amsterdã, prestarás contas de teus atos a Paul Buys, meu fiel. Aqui tens três salvo-condutos assinados pelo próprio Alba e encontrados sobre os cadáveres em Quesnoy-le-Comte. Meu secretário os preencheu. Talvez encontres no caminho algum bom companheiro em quem possas confiar. São bons aqueles que respondem ao canto da cotovia com o clarim guerreiro do galo. Aqui tens cinquenta florins. Serás valente e fiel.

— As cinzas batem sobre o meu coração — respondeu Ulenspiegel.

E partiu.

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