Livro 2 — Capítulo VI
Livro 2 — Capítulo VI
No dia cinco de abril, antes da Páscoa, os senhores conde Luís de Nassau, de Culembourg e de Brederode, o Hércules Bebedor, entraram com outros trezentos fidalgos no pátio de Bruxelas, diante de madame a governadora, duquesa de Parma. Marchando quatro a quatro, subiram assim os grandes degraus do palácio.
Ao entrarem na sala onde se encontrava Madame, apresentaram-lhe uma petição pela qual lhe pediam que procurasse obter do rei Filipe a abolição dos editos relativos à religião e também da Inquisição espanhola, declarando que, em nossos países descontentes, disso só poderiam resultar tumultos, ruínas e miséria geral.
E essa petição foi chamada de O COMPROMISSO.
Berlaymont, que mais tarde se mostraria tão traiçoeiro e cruel para com a terra dos pais, estava junto de Sua Alteza e lhe disse, zombando da pobreza de alguns dos nobres confederados:
— Madame, nada tendes a temer. Não passam de mendigos.
Queria dizer com isso que aqueles nobres haviam arruinado a si mesmos a serviço do rei ou tentando igualar, no luxo, os senhores espanhóis.
Para desprezar as palavras do senhor de Berlaymont, os nobres declararam depois considerar uma honra serem tidos e chamados de mendigos a serviço do rei e para o bem daqueles países.
Começaram a trazer ao pescoço uma medalha de ouro, tendo de um lado a efígie do rei e, do outro, duas mãos entrelaçadas por cima de uma bolsa de mendigo, com estas palavras:
“Fiéis ao rei até a bolsa.”
Também traziam nos chapéus e gorros joias de ouro em forma de tigelas e chapéus de mendigos.
Enquanto isso, Lamme passeava sua pança por toda a cidade, procurando a mulher e sem encontrá-la.