Capítulo LXVII - Eis o Fim dos Amores Comuns
Capítulo LXVII - Eis o Fim dos Amores Comuns
Probo com o Dr. Edmundo tinham arranjado um modo de saírem-se bem de sua imprudência sem a menor inconveniência, sem receio de ser descoberta a ilusão.
Aproveitaram um dia de ausência da Rainha do Ignoto, e enquanto ela, só com Roberta na cabana da mata, cuidava dos preparativos de uma jornada para o dia seguinte, eles faziam enterrar, com o nome e o trajo de Odete, o cadáver de uma mulher que morrera afogada, e veio ter à barra do Jaguaribe, trazida pela correnteza na enchente do rio.
Só eles presenciaram o caso do cadáver aportado à ilha, e deram graças pela oportunidade de seu aparecimento.
As Paladinas do Nevoeiro que pouca ou nenhuma atenção davam à muda, à predileta da Rainha do Ignoto, nem se incomodaram com o caso; pois a morte era um descanso para a infeliz.
Elas encarregaram a Probo de fazer o enterro de Odete e tornaram ao seu estado de preocupação pelo abatimento físico e moral de sua rainha ou sua diretora.
O enterro foi feito sem pompa e sem lágrimas. Odete estava destinada a não ser chorada. A sua memória era como a de uma ave atirada dos ramos pela bala do caçador, e sumida nas águas profundas de um lago na floresta.
O Dr. Edmundo estava livre, voltou para sua casa do fim da rua da Passagem das Pedras.
Lá, encontrou Adriano, falou com a tia Úrsula e viu seus bons vizinhos, agora encantadores!
Carlotinha já não lhe saía da mente, sonhava com ela, era o seu ideal.
Ele não nascera para as grandes empresas. O extraordinário lhe cansava o espírito ainda mais do que o corpo. Tinha o gênio muito comum para atrever-se a amar uma Rainha do Ignoto.
Em poucos dias tornou a ganhar as boas graças do Sr. Martins e pediu-lhe a mão da filha.
Carlotinha voltou às belas cores e alegria de outrora.
D. Raquel teve um motivo para sair da monotonia daqueles tempos tão insípidos, e foi tratar dos preparativos das próximas bodas: pois Ana, sua afilhada, a roceira conhecedora das sortes de S. João estava depositada em sua casa, ia casar com o célebre Boião do Poço.
Já ninguém falava nas aparições da Funesta, estava esquecida assim como os seus demônios negros.
A cabana da entrada da mata também já não ocupava a atenção dos frequentadores da taberna do Vital.
A festa do casamento de Carlotinha ia ser uma festa de estrondo! E todos se julgavam com direito de fazer também algum preparativo para ela. Eis o motivo de não poder haver mais lugar para outra preocupação.
Afinal chegou o grande dia, o sino repicou, o vigário lançou as bênçãos nupciais a um mancebo vestido de preto e a uma moça coroada de flores de laranjeira e eles saíram da igreja pelo braço um do outro, seguidos pela procissão de comilões de doces e perus assados.
Eis o fim dos amores comuns.