Capítulo 7 - A estrada quebrada
Capítulo 7 - A estrada quebrada
Há três anos, minhas conquistas amorosas se parecem com esse homem da porta: o senhor da poltrona onze, o da frisa quatro, o rapaz das segundas galerias. Um bilhete, dois bilhetes, um buquê, outro bilhete ainda, e depois o cansaço. O silêncio faz por mim o trabalho mais limpo. Eles desistem depressa, e é preciso reconhecer que não colocam nisso grande vocação de mártires.
Talvez o destino, agora parcimonioso com minhas forças, afaste de mim os caçadores obstinados, esses homens capazes de seguir uma mulher até o fim do mundo, ou pelo menos até o fim de uma estação. Os que se inflamam por mim escrevem cartas apressadas, brutais, desajeitadas. Não traduzem pensamentos; traduzem vontade. Há diferença, embora muitos homens passem a vida inteira sem percebê-la.
Lembro apenas de um pobre rapaz que diluía em doze páginas uma ternura humilhada. Devia ser muito jovem. Sonhava-se príncipe, rico, poderoso, encantador, e terminava confessando que escrevia sobre a mesa de um comerciante de vinho, erguendo de vez em quando os olhos para encontrar no espelho a própria cara suja. Havia, nesse ridículo, uma espécie de nobreza. Ao menos ele ainda podia sonhar alguém dentro de seus palácios azuis.
Eu, não. Ninguém me espera numa estrada que não leva nem à glória, nem à riqueza, nem ao amor. E sei bem: nada leva ao amor. É ele que se joga atravessado no caminho. Às vezes o barra para sempre; às vezes sai, mas deixa atrás de si a ponte caída, a terra rachada, a passagem impossível de recompor como antes.
O que resta da minha vida me parece um daqueles quebra-cabeças de madeira, enorme, colorido, feito de peças tortas. Seria possível reconstruir, uma a uma, a imagem inicial? Uma casa quieta no meio dos bosques, um telhado azul manchado de líquen, uma vinha sobre a parede, uma floresta funda e sem pássaros? Não. Alguém embaralhou as linhas doces da paisagem. Já não reconheço sequer os pedaços que prometiam abrigo.
Oito anos de casamento e três de separação ocupam quase um terço da minha existência. Meu ex-marido? Todos o conhecem. Adolphe Taillandy, o pastelista. Há vinte anos ele pinta, sob nomes diferentes, o mesmo retrato de mulher: fundo nebuloso e dourado, decote calculado, cabelos como uma auréola preciosa, rosto aveludado, carne azulada nas sombras do pescoço e dos seios, esse veludo impalpável que faz as damas se julgarem perigosas e celestes ao mesmo tempo.
Não sei se Adolphe tem talento. Sei que seus retratos são irresistíveis para as mulheres, o que às vezes basta para parecer talento. Ele vê tudo loiro. Mesmo uma morena seca e resoluta sai de suas mãos com reflexos de sangue e ouro, transformada numa veneziana orgíaca contra a própria natureza. Ele fez meu retrato também, em outro tempo. Já não se sabe que sou eu naquela pequena bacante de nariz luminoso, com uma mancha de sol no meio do rosto como máscara de madrepérola.
Lembro minha surpresa ao me descobrir tão loira. Lembro também o sucesso daquele pastel e dos outros que vieram depois: baronesas, cantoras, esposas de nomes compostos, iniciais discretas, mulheres conhecidas demais ou anônimas demais para serem nomeadas por inteiro. Era a época em que Adolphe, com o cinismo bonito que lhe caía tão bem, declarava só querer por modelos suas amantes, e por amantes suas modelos.
De todos os seus dons, o único que conheci de perto foi o da mentira. Nenhuma mulher precisou admirar, temer e amaldiçoar como eu a fúria mentirosa de Adolphe Taillandy. Ele mentia com febre, com prazer, sem cansaço, quase sem vontade. O adultério era apenas uma das formas da mentira, e nem mesmo a mais refinada. A mentira, nele, florescia com força própria.
Podia construir uma traição minuciosa, trabalhada como joia, arranjada com todos os cuidados de uma falsidade magistral; e, no mesmo dia, gastar a mesma energia em imposturas grosseiras, inúteis, infantis. Havia nele uma prodigalidade da fraude, como se a verdade lhe parecesse uma economia vulgar.
Vivi com esse homem mais de oito anos. Que sei dele? Que faz pastéis. Que tem amantes. Que realiza todos os dias o prodígio desconcertante de ser, para uns, um trabalhador feroz, entregue apenas à arte; para outras, um amante perseguido pelo destino; para si mesmo, talvez, uma obra-prima em perpétua defesa. Fui sua mulher tempo suficiente para entender que uma mentira pode ser mais habitável que uma casa, desde que a gente aceite ir desaparecendo dentro dela.
Não aceitei para sempre. Mas ainda hoje, quando penso no amor, encontro primeiro os escombros da estrada.