Capítulo 32 - Tomar partido A Vagabunda · Capítulo 32 de 77
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Capítulo 32 - Tomar partido

Capítulo 32 - Tomar partido

São todos os instantes daquele dia de ontem que peso escrupulosamente enquanto sigo pelo boulevard des Batignolles. Não para revivê-los com complacência, nem para procurar uma desculpa.

Não há desculpa alguma, salvo para o homem que provoquei.

Isso se parece tão pouco comigo, eu me dizia mentalmente ontem, enquanto voltávamos para Hamond, descontentes um com o outro, desconfiados. Ah, que sei eu? Não tenho inimiga mais temível que eu mesma.

Falsa distração, falsa imprudência: eis o que se encontraria no fundo da pior impulsiva, e eu não sou a pior das impulsivas. É preciso ser severa com as mulheres que gritam: ah, já não sei o que faço. E discernir, no desarranjo delas, uma boa parte de astúcia previdente.

Não admito minha irresponsabilidade, nem mesmo parcial.

Que direi a esse homem, esta noite, se ele quiser me apertar nos braços? Que não quero? Que nunca quis tentá-lo? Que tudo isso é um jogo? Que lhe ofereço minha amizade pelo período de um mês e dez dias que nos separa da turnê?

Não. Será preciso tomar partido. Será preciso tomar partido.

E ando, ando, apertando o passo cada vez que o vidro de uma vitrine me devolve a imagem. Acho em meu rosto uma expressão um pouco teatral demais de vontade preocupada, com olhos insuficientemente convencidos sob sobrancelhas franzidas.

Conheço esse rosto. Ele se mascara de austeridade, de renúncia, para melhor esperar o pequeno milagre: o sinal de meu mestre, o Acaso, a palavra fosforescente que ele escreverá no muro negro quando, esta noite, eu apagar minha lâmpada.

Como cheira bem o ar em torno dessas carrocinhas cheias de violetas molhadas e junquilhos brancos. Um velho todo musgoso de barba vende narcisos ainda com bulbo, presos a um torrão de terra, e a flor pendente tem a forma de uma abelha. Seu perfume imita o da laranjeira, mas tão fraco, quase inapreensível.

Vamos. Vamos. Será preciso tomar partido.

Ando, ando, como se não soubesse que, apesar dos sobressaltos de energia, dos escrúpulos, de toda essa penitência interior que procuro me infligir, já sei que não tomarei aquele partido.

Tomarei o outro.

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