Capítulo 39 - Comigo A Vagabunda · Capítulo 39 de 77
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Capítulo 39 - Comigo

Capítulo 39 - Comigo

— Adeus, Margot, vou embora.

— Vá, minha filha.

— Você não está com muita raiva de mim?

— De quê?

— De eu ser tão louca, ridícula, enfim, apaixonada. Eu tinha prometido tanto a mim mesma.

— Raiva de você? Pobre pequeno, isso seria bem cruel. Um novo amor... Você não deve estar em festa. Pobre pequeno.

Tenho pressa de voltar para casa. Sinto-me gelada, contraída e tão triste. Tanto faz. Ufa, está feito: contei tudo a Margot. Recebi a ducha que esperava, e corro para me secar, me sacudir, me abrir outra vez à chama. O véu abaixado esconde os sinais de tristeza, e corro, corro para ele.

— O senhor Maxime está aí, esperando madame.

Pois minha criada Blandine diz agora senhor Maxime ternamente, como se falasse de seu bebê de leite.

Ele está aí.

Lanço-me ao quarto e me tranco. Que ele não veja meu rosto. Depressa: pó de arroz, kohl, bastão vermelho. Ali, sob o olho, esse sulco nacarado, amolecido. Você envelheceu. Tola, que sai chorando como menina. Não aprendeu a sofrer a seco? Onde está o tempo de minhas lágrimas cintilantes, rolando sem molhar o veludo da face?

Para reconquistar meu marido, soube outrora me adornar com minhas lágrimas, quando chorava voltada para ele, rosto erguido, olhos bem abertos, sacudindo sem enxugar as lentas pérolas que me tornavam mais bela.

Pobre de mim.

— Enfim, você chegou, minha querida, minha perfumada, minha apetitosa, minha...

— Meu Deus, como você é bobo.

— Oh, sim — suspira meu amigo com convicção extasiada.

Entrega-se a seu jogo favorito, que é me erguer nos braços até quase tocar o teto, e me beija nas faces, no queixo, nas orelhas, na boca. Debato-me o bastante para que ele precise mostrar sua força. Nossa luta termina a favor dele, que me faz tombar completamente sobre o braço, cabeça para baixo e pés no ar, até que eu grite por socorro e ele me ponha de pé outra vez.

A cadela se precipita para me defender, e a brincadeira rude, que me agrada, mistura-se a latidos roucos, gritos e risadas.

Ah, como é bom esse saudável disparate. Que companheiro alegre eu tenho, despreocupado de parecer espirituoso ou de desarrumar a gravata. Como está morno aqui. E como nossa risada de lutadores que se enfrentam se transforma depressa em desafio voluptuoso.

Ele a devora, sua apetitosa, saboreia-a devagar, como gourmet.

— Como você seria boa de comer, minha querida. Sua boca é doce, mas seus braços, quando os mordo, são salgados, um pouquinho. E seu ombro, e seus joelhos. Tenho certeza: você é salgada da cabeça aos pés, como uma concha fresca, não é?

— Você saberá cedo demais, Grande-Serino.

Pois ainda o chamo Grande-Serino, mas com outro acento.

— Quando? Esta noite? Hoje é quinta-feira, não é?

— Acho que sim. Por quê?

— Quinta-feira é um ótimo dia.

Diz coisas bobas, muito feliz, jogado entre almofadas desmoronadas. Uma mecha de cabelo cruza seu olho, e ele tem o olhar vago das grandes crises de desejo, entreabrindo a boca para respirar. Um belo rapaz do campo, um lenhador que cochila na relva: é isso que volta a ser, sem me desagradar, a cada atitude abandonada.

— Levante-se, Max. Precisamos conversar seriamente.

— Não quero que me façam sofrer — suspira ele, queixoso.

— Max, vamos.

— Não. Sei o que quer dizer conversar seriamente. É a palavra de mamãe toda vez que quer falar de negócios, dinheiro ou casamento.

Ele se enterra nas almofadas e fecha os olhos. Não é a primeira vez que mostra essa frivolidade obstinada.

— Max. Você se lembra de que parto no dia cinco de abril?

Ele entreabre as pálpebras de longos cílios femininos e me acaricia com um longo olhar.

— Você fala, querida? Quem decidiu isso?

— Salomon, empresário, e eu.

— Bom. Mas eu ainda não dei meu consentimento. Enfim, seja. Você parte. Pois parte comigo.

— Com você? — digo, assustada. — Você não sabe o que é uma turnê?

— Sei. É viagem. Comigo.

Repito:

— Com você? Durante quarenta e cinco dias. Você não tem nada a fazer?

— Oh, tenho. Desde que conheço você, não tenho um minuto para mim, Renée.

A resposta é gentil, mas...

Contemplo, desconcertada, esse homem que não tem nada a fazer, que encontra dinheiro no bolso a toda hora. Ele não tem nada a fazer, é verdade, eu nunca tinha pensado nisso. Não tem ofício; nenhuma sinecura disfarça sua liberdade de ocioso. Como é estranho. Antes dele, eu nunca conhecera um homem desocupado.

Pode entregar-se por inteiro, dia e noite, ao amor, como... como uma cortesã.

Essa ideia barroca, que de nós dois ele seja a cortesã, me causa uma alegria brusca, e suas sobrancelhas suscetíveis se aproximam.

— O que foi? Está rindo? Você não vai partir.

— Veja só. E minha multa?

— Eu pago.

— E a multa de Brague? E a do Velho Troglodita?

— Eu pago.

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