Capítulo 44 - O dia quinze de maio A Vagabunda · Capítulo 44 de 77
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Capítulo 44 - O dia quinze de maio

Capítulo 44 - O dia quinze de maio

Que estranho fardo sobre meus braços, meus braços por tanto tempo vazios. Não sei embalar uma criança tão grande, e como sua cabeça é pesada. Mas que repouse ali, seguro de mim.

Seguro de mim. Pois uma aberração clássica o torna ciumento do meu presente, do meu futuro errante; mas ele repousa confiante contra este coração que outro habitou por tanto tempo. Não pensa, o honesto, o imprudente amante, que me divide com uma lembrança e que não provará essa glória, a melhor, de poder me dizer: trago a você uma alegria, uma dor que você não conhece.

Ele está ali, sobre meu peito. Por que ele, e não outro? Não sei. Inclino-me sobre sua testa. Eu queria protegê-lo de mim mesma, desculpar-me por não lhe dar senão um coração desocupado, se não purificado. Queria guardá-lo contra o mal que posso lhe fazer.

Vamos. Margot tinha previsto: volto à caldeira. Uma caldeira tranquila, esta, e que nada tem de infernal; pareceria antes uma chaleira familiar.

— Acorde, querido.

— Não estou dormindo — murmura ele sem erguer os belos cílios. — Estou respirando você.

— Você me esperará em Paris enquanto eu estiver em turnê? Ou irá para as Ardenas, para a casa de sua mãe?

Ele se levanta sem responder e alisa os cabelos com a palma da mão.

— Diga.

Pega o chapéu sobre a mesa e vai embora, olhos baixos, sempre mudo. Num salto, estou sobre ele, agarrada a seus ombros.

— Não vá embora. Não vá embora. Farei o que quiser. Volte. Não me deixe sozinha. Oh, não me deixe sozinha.

Que aconteceu em mim? Já não sou senão um pobre trapo encharcado de lágrimas. Vi afastar-se de mim, com ele, o calor, a luz e esse segundo amor todo misturado às cinzas ardentes do primeiro, mas tão caro, tão inesperado. Suspendo-me ao meu amigo com mão de náufraga e balbucio obstinadamente, sem me ouvir:

— Todos me deixam. Estou tão sozinha.

Ele sabe bem, ele que me ama, que não há necessidade de palavras nem de raciocínios para me acalmar. Braços que embalam, um murmúrio quente de vagas palavras carinhosas, beijos, beijos.

— Não olhe para mim, meu querido. Estou feia, o preto dos meus olhos foi embora, meu nariz está vermelho. Tenho vergonha de ter sido tão boba.

— Minha Renée, minha pequenina. Que bruto eu fui. Sim, sim, não passo de um grande bruto. Você quer que eu a espere em Paris? Eu a esperarei. Quer que eu vá para a casa de mamãe? Irei para a casa de mamãe.

Indecisa, embaraçada com minha vitória, já não sei o que quero.

— Escute, Max querido, eis o que é preciso fazer. Partirei sozinha, com a animação de um cão açoitado. Nós nos escreveremos todos os dias. Seremos heroicos, não é? Para alcançar a data, o belo quinze de maio que nos reunirá.

O herói, sombrio, concorda com um sinal resignado da cabeça.

— O quinze de maio, Max. Parece-me — digo mais baixo — que nesse dia me atirarei a você como me atiraria ao mar, tão irremediavelmente, tão conscientemente.

Sob o abraço e o olhar que me respondem, perco um pouco a cabeça.

— E depois, escute. Se não pudermos esperar, pois bem, tanto pior. Você virá me encontrar. Eu o chamarei. Está contente? Afinal, o heroísmo é idiota, e a vida é curta. Está combinado: o mais infeliz irá ao encontro do outro, ou lhe escreverá para que venha. Mas vamos tentar, porque uma lua de mel em vagão... Está contente? O que você está procurando?

— Estou com sede, imagine. Morrendo de sede. Pode chamar Blandine?

— Não preciso dela. Fique aí. Vou buscar o que é necessário.

Feliz, passivo, ele se deixa servir, e eu o vejo beber como se me concedesse um grande favor. Se quiser, amarrarei sua gravata e vigiarei o cardápio do jantar. E lhe trarei os chinelos. E ele poderá me perguntar, em tom de dono: onde você vai? Fêmea eu era, e fêmea me reencontro, para sofrer com isso e para gozar disso.

O crepúsculo esconde meu rosto reparado às pressas, e tolero que, sentada em seus joelhos, ele beba em meus lábios meu hálito ainda entrecortado pelos soluços de há pouco. Beijo, de passagem, uma de suas mãos que desce de minha testa à garganta. Recaio, entre seus braços, ao estado de vítima mimada, que se queixa em meia voz daquilo que não quer nem pode impedir.

Mas, de repente, levanto-me num salto. Luto alguns segundos contra ele, sem dizer nada, e consigo escapar, gritando:

— Não.

Quase me deixei surpreender ali, naquele canto do divã. A tentativa foi tão rápida e tão hábil. Fora de alcance, olho para ele sem cólera e só lhe dirijo esta censura:

— Por que fez isso? Max, como é maldoso.

Ele se arrasta até mim, obediente, arrependido, derrubando no caminho uma mesinha e cadeiras, com pedidos de perdão e promessas de não fazer mais, querida, é tão duro esperar, cuja súplica infantil ele exagera um pouco.

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