Capítulo 34 - Meu filho querido
Capítulo 34 - Meu filho querido
— Madame — diz Blandine, em voz baixa —, o senhor Dufferein-Chautel pode entrar?
— Não... um instante.
Passar pó nas faces, avermelhar os lábios e dispersar com um golpe de pente os cabelos cacheados que escondem minha testa: trabalho mecânico, rápido, que nem pede o socorro do espelho. Faz-se isso como se escovam as unhas, por conveniência mais do que por coqueteria.
— O senhor está aí, Dufferein-Chautel? Pode entrar. Espere, vou acender a luz.
Não sinto nenhum embaraço em revê-lo. O fato de nossas bocas se terem tocado ontem, infrutuosamente, não me incomoda neste momento. Um beijo falho é muito menos grave que uma troca cúmplice de olhares. Estou quase surpresa por ele parecer infeliz e frustrado.
Chamei-o Dufferein-Chautel como de costume, como se ele não tivesse prenome. Sempre o nomeio o senhor ou Dufferein-Chautel. Cabe a mim deixá-lo à vontade? Pois seja.
— Então? Está aqui? Vai bem?
— Vou bem, obrigado.
— Não parece.
— É que estou infeliz — ele responde sem hesitar.
Grande-Serino. Sorrio para a infelicidade dele, sua pequena infelicidade de homem que beijou mal a mulher que ama. Sorrio de bastante longe, por cima do casto rio negro em que eu me banhava há pouco. Estendo-lhe uma taça cheia de seus cigarros favoritos, um tabaco louro e açucarado que cheira a pão de especiarias.
— Não fuma hoje?
— Fumo. Mas continuo infeliz.
Sentado no divã, de costas para as almofadas baixas, ele lança maquinalmente longos jatos de fumaça pelas narinas. Eu também fumo, por compostura, para fazer como ele. Fica melhor sem chapéu. A cartola o enfeia, e o feltro mole o embeleza até quase o rastaquerismo.
Ele fuma, os olhos no teto, como se a gravidade das palavras que prepara o desviasse de se ocupar de mim. Seus cílios longos e brilhantes, única parure feminina e sensual desse rosto que peca por excesso de virilidade, batem com frequência e denunciam agitação, hesitação. Ouço sua respiração. Ouço também o tique-taque de meu pequeno relógio de viagem e a chapa da lareira que o vento sacode de repente.
— Chove lá fora?
— Não — diz ele, sobressaltado. — Por que pergunta isso?
— Para saber. Não saí desde o almoço, não sei que tempo faz.
— Um tempo qualquer... Renée.
Ele se endireitou de repente, jogando fora o cigarro. Toma minhas mãos e me olha de muito perto, perto o bastante para que seu rosto me pareça quase grande demais, com os detalhes acentuados: o grão da pele, o canto palpitante e úmido dos olhos largos.
Quanto amor há, sim, amor, nesses olhos. Ai, como falam, como são doces, como estão inteiramente tomados. E essas grandes mãos que apertam as minhas com força igual e comunicativa: como as sinto convictas.
É a primeira vez que deixo minhas mãos nas dele. Creio, primeiro, dominar minha repugnância; depois o calor delas me desmente, me persuade. Estou a ponto de ceder ao prazer fraterno, surpreendente, ignorado há tanto tempo, de me confiar sem palavras a um amigo, de me apoiar por um instante nele, de me reconfortar contra um ser imóvel e quente, afetuoso, silencioso.
Oh, lançar os braços ao pescoço de um ser, cão ou homem, de um ser que me ama.
— Renée. Como, Renée, você está chorando?
— Estou chorando?
Mas ele tem razão. A luz dança, em mil raios quebrados e cruzados, nas minhas lágrimas suspensas. Com a ponta do lenço, enxugo-as depressa, mas não penso em negá-las. E sorrio à ideia de que ia chorar. Há quanto tempo não choro? Há anos. Anos.
Meu amigo está transtornado. Atrai-me para si e me obriga, sem que eu resista muito, a sentar-me ao lado dele no divã. Seus olhos também estão úmidos, o pobre; pois não passa de um homem, capaz sem dúvida de fingir uma emoção, mas incapaz de dissimulá-la.
— Minha criança querida, o que você tem?
O grito abafado, o sobressalto que lhe respondem, ele os esquecerá? Espero que sim. Minha criança querida. Sua primeira palavra de ternura é essa. A mesma palavra, quase o mesmo acento que o outro.
Um medo infantil me arranca de seus braços como se o outro acabasse de aparecer à porta, com seu bigode à Guilherme II, o olhar mentiroso velado, os ombros terríveis e as coxas curtas de camponês.
— Renée, minha querida, se você quisesse me falar um pouco...
Meu amigo está pálido e não tenta me retomar. Que ele ignore ao menos o mal que acabou, inocentemente, de me fazer. Já não tenho vontade de chorar. Minhas lâgrimas covardes e deliciosas voltam lentamente à fonte, deixando na garganta e nos olhos uma queimadura.
Com um sinal, tranquilizo meu amigo, esperando que minha voz se firme.
— Eu a zanguei, Renée?
— Não, meu amigo.
Por mim mesma, retomo meu lugar ao lado dele, mas timidamente, com receio de que meu gesto e minhas palavras provoquem outra exclamação terna, familiar e detestada.
Seu instinto o adverte de que não deve alegrar-se com uma docilidade tão pronta. O braço que me sustenta não quer me estreitar, e já não encontro o calor comunicativo, perigoso, benéfico. Sem dúvida ele me ama o bastante para adivinhar que, se pouso a cabeça obediente sobre seu ombro forte, não se trata de uma dádiva, mas de um ensaio.
Minha testa no ombro de um homem. Estou sonhando? Não sonho nem deliro. Minha cabeça, meus sentidos, tudo está calmo, lugubremente calmo. Mas na indolência que me retém ali há algo melhor e maior que indiferença. Se brinco, com mão distraída e casta, com a corrente de ouro presa ao colete dele, é porque me sinto abrigada, defendida, à maneira de um gato perdido que se recolhe e só sabe brincar e dormir quando tem uma casa.
Pobre enamorado. Em que pensa, imóvel, respeitoso diante do meu silêncio? Inclino a cabeça para vê-lo e abaixo depressa os olhos, deslumbrada, confundida pela expressão daquele homem. Ah, como invejo nele a capacidade de amar tão forte, de tirar da paixão tamanha beleza.
Ele encontrou meu olhar e sorri heroicamente.
— Renée... Você acredita que me amará um dia, não se sabe quando?
— Amar você? Como eu gostaria, meu amigo. Você não parece mau, você... Não sente que estou me apegando a você?
— Apegando-se a mim... É exatamente o que temo, Renée. Isso quase nunca é o caminho do amor.
Ele tem razão tão profundamente que não protesto.
— Mas espere... Não se sabe... Talvez quando eu voltar da turnê... E, afinal, uma amizade muito, muito grande...
Ele balança a cabeça. Sem dúvida não tem serventia para minha amizade. Eu, porém, ficaria contente de ter um amigo, um amigo menos velho, menos acabado que Hamond, um verdadeiro amigo.
— Quando você voltar... Para começar, se realmente esperasse me amar um dia, Renée, não pensaria em se afastar de mim. Daqui a dois meses, como agora, será a mesma Renée que me estenderá suas pequenas mãos frias, com olhos que não deixam meu olhar entrar, e essa boca que, mesmo se oferecendo, não se entrega.
— Não é minha culpa... Mas ela está aqui, essa boca. Tome.