Capítulo 12 - A notícia de Brague A Vagabunda · Capítulo 12 de 77
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Capítulo 12 - A notícia de Brague

Capítulo 12 - A notícia de Brague

Pela vigésima vez, repiso sozinha essas coisas pouco alegres. Enquanto isso, meus dedos fazem, ligeiros e inconscientes, o trabalho habitual: branco gorduroso, rosa gorduroso, pó, rosa seco, azul, marrom, vermelho, preto. Mal termino quando uma garra dura arranha a parte baixa da porta.

Abro imediatamente, porque reconheço a pata pedinte de uma pequena terrier brabançona que trabalha na primeira parte do espetáculo.

— Você por aqui, Nelle?

Ela entra segura, séria como uma empregada de confiança, e deixa que eu acaricie seus rins pequenos, ainda febris do exercício, enquanto seus dentes, um pouco amarelados pela idade, esfarelam um biscoito seco. Nelle é ruiva de pelo, lustrosa, com uma máscara preta de pequeno macaco onde brilham belos olhos de esquilo.

— Quer mais um biscoito, Nelle?

Bem-educada, aceita sem sorrir. Atrás dela, no corredor, espera sua família: um homem alto, seco, silencioso, impenetrável, que não fala com ninguém, e dois collies brancos, corteses, parecidos com o dono. De onde vem esse homem? Que caminhos trouxeram até aqui ele e seus cães, semelhantes a três príncipes destituídos?

Seu cumprimento, seu gesto, sua longa figura cortante são de homem do mundo. Meus camaradas, talvez adivinhos, batizaram-no de Arquiduque.

Ele espera no corredor que Nelle termine o biscoito. Não há nada mais triste, mais digno, mais desdenhoso do que esse homem e seus três bichos, orgulhosamente resignados à sorte de vagabundos.

— Adeus, Nelle.

Fecho a porta, e os pequenos guizos da cadela se afastam. Tornarei a vê-la? Esta noite acaba uma quinzena e talvez acabe também a passagem de Antonieff e seus cães. Para onde irão? Onde voltarão a brilhar os olhos castanhos de Nelle, que me dizem tão claramente: sim, você me acaricia, sim, você gosta de mim, sim, guarda para mim uma caixa de biscoitos secos. Mas amanhã, ou depois, partiremos.

Não me peça mais do que minha polidez de cadelinha gentil, que sabe andar sobre as patas dianteiras e dar salto mortal. Como o repouso e a segurança, a ternura é, para nós, um luxo inacessível.

De oito da manhã às duas da tarde, quando o tempo está claro, meu térreo recebe, entre duas falésias de casas novas, uma fresta de sol. Um pincel brilhante toca primeiro a cama, alarga-se ali como um guardanapo quadrado, e a colcha envia ao teto um reflexo rosado.

Às vezes espero, preguiçosa, que o sol alcance meu rosto e me deslumbre através das pálpebras fechadas. A sombra dos passantes atravessa meu corpo, rápida, como uma asa escura e azul. Outras vezes salto da cama, galvanizada, e começo uma limpeza febril: as orelhas de Fossette sofrem uma inspeção delicada, e seu pelo reluz sob a escova dura.

Ou então examino, sob a grande luz impiedosa, tudo o que já começa a fraquejar em mim: a seda frágil das pálpebras, o canto da boca que o sorriso começa a marcar com uma dobra triste, e, ao redor do pescoço, esse triplo colar de Vênus que uma mão invisível aprofunda, dia após dia, um pouco mais na carne.

É esse exame severo que a visita de Brague interrompe hoje. Ele chega vivo, sério, desperto. Recebo-o quase como no camarim, coberta apenas por um quimono de crepe em que as patas de Fossette acrescentaram, num dia de chuva, pequenas flores acinzentadas de cinco pétalas.

Para Brague não preciso empoar o nariz nem alongar as pálpebras com uma linha azul. Brague só me olha nos ensaios, para corrigir: não faça isso, é feio; não abra a boca para cima, parece um peixe; não pisque, parece um rato branco; não mexa os quadris andando, parece uma égua.

Foi ele quem guiou, se não meus primeiros passos, ao menos meus primeiros gestos no palco. Se ainda lhe devo uma confiança de aluna, ele também não esquece de me tratar, muitas vezes, como amadora inteligente, isto é, com certa impaciência diante de qualquer discussão e firme desejo de fazer prevalecer sua opinião.

Nesta manhã, entra, cola os cabelos à nuca com o gesto de enfiar uma peruca e olha meu raio de sol como quem avalia um objeto precioso.

— Quanto você paga por este térreo?

— Já disse: mil e setecentos.

— E ainda tem elevador. Belo sol. A gente se acha em Nice. Mas não é isso. Temos uma soirée.

— Quando?

— Quando? Esta noite.

— Ah.

— Que ah? Isso atrapalha?

— Não. É a pantomima que levamos?

— Nada de pantomima. É sério demais. Suas danças. E eu faço meu Pierrot neurastênico.

Levanto-me sinceramente assustada.

— Minhas danças? Não posso. Perdi a música em Aix. A moça que me acompanha mudou de endereço. Se ao menos tivéssemos dois dias.

— Não dá — diz Brague, impassível. — Tinham Badel no programa, e ela adoeceu.

— Maravilha. Então é completo: entrar como tapa-buraco. Faça seu Pierrot se quiser. Eu não danço.

Brague acende um cigarro e deixa cair duas palavras:

— Quinhentos francos.

— Para nós dois?

— Para você. Eu recebo o mesmo.

Quinhentos. Um quarto do aluguel. Brague fuma sem me olhar; sabe muito bem que aceito.

— Evidentemente, quinhentos... Que horas?

— Meia-noite, naturalmente. Mexa-se com a música e tudo, sim? Até logo. Ah, diga uma coisa: Jadin voltou.

Reabro a porta que ele já fechava.

— Não é possível. Quando?

— Ontem, à meia-noite. Você tinha acabado de sair. Que cara. Vai ver: ela canta de novo na casa. Mil e setecentos, você disse? É espantoso. E mulheres em todos os andares.

Ele se vai, grave e malicioso, deixando no quarto o sol, os quinhentos francos, a soirée e a notícia de Jadin, tudo misturado como maquiagem ainda fresca.

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