Capítulo 28 - Pela janela
Capítulo 28 - Pela janela
Ele disse mesmo “lá em casa”, provincialmente, ternamente.
— É bonito, lá em sua casa?
— Sim. É a floresta. Muitos pinheiros, bastantes carvalhos. Gosto dos cortes recentes, sabe, quando derrubaram a madeira e ficam apenas as mudas, e os grandes círculos das carvoarias, onde nasce morango no verão seguinte.
— E muguet.
— E muguet. E dedaleiras também. Conhece? São altas assim, e a gente enfia os dedos nas campânulas quando é criança.
— Conheço.
Ele conta mal, meu lenhador das Ardenas, mas vejo tão bem o que ele conta.
— Vou para lá no verão, de automóvel. Também caço um pouco no outono. É a casa de mamãe, naturalmente. A mãe Corta-Sempre — diz ele, rindo. — Ela corta, corta, serra e vende.
— Oh.
— Mas não estraga, sabe. Ela sabe o que é madeira, entende disso como um homem, melhor que um homem.
Escuto-o com uma amenidade nova, contente que ele me esqueça por um instante, que fale, como digno lenhador, de sua floresta materna. Eu não lembrava que fosse ardenês, e ele não se preocupava em me ensinar que amava seu país. Agora sei por que tem ar de passarão: é porque veste as roupas um pouco como roupas de domingo, com uma gaucherie indelével e simpática, belo camponês endomingado.
— Só que, se você me mandar embora, Renée, minha mãe compreenderá logo que vou me tratar com ela, e vai querer mais uma vez me casar. Veja a que me expõe.
— Deixe que ela o case.
— Você não diz isso seriamente?
— Por que não? Porque uma experiência pessoal me foi nefasta? O que isso prova? Você deveria se casar. Combina muito bem com você. Já tem ar de casado. Passeia seu celibato dentro de roupas de jovem pai de família. É apaixonado pelo canto da lareira, terno, ciumento, teimoso, preguiçoso como um marido mimado, e déspota no fundo, e monogâmico de nascença.
Estupefato, meu enamorado me encara sem dizer palavra, depois salta de pé.
— Sou tudo isso — exclama. — Sou tudo isso. Ela disse. Sou tudo isso.
Reprimo secamente seus gritos e gestos.
— Cale-se. Que lhe deu? Saber que é egoísta, preguiçoso e caseiro lhe dá vontade de dançar?
Muito dócil, senta-se de novo diante de mim, mas seus olhos de cão pastor me incubam com uma sagacidade vitoriosa.
— Não. Pouco me importa ser tudo o que você diz. O que me dá vontade de dançar é que você saiba.
Ah, tola que sou. Ei-lo triunfante, fortalecido por minha confissão, a confissão de minha curiosidade, senão de um interesse mais vivo. Ei-lo glorioso, tremendo de desejo de entregar-se ainda mais. Gritaria, se ousasse: sim, sou tudo isso; você dignou-se enfim me ver, enquanto eu desesperava de existir aos seus olhos. Olhe-me ainda. Descubra-me inteiro. Invente em mim fraquezas, ridículos, sobrecarregue-me de vícios imaginários. E que importa se errar? Minha preocupação não é que me conheça tal como sou. Crie o seu enamorado à sua vontade, e depois, como um mestre retoca a obra medíocre de um aluno querido, depois eu porei sorrateiramente, pouco a pouco, a minha semelhança.
Vou recitar-lhe em voz alta esse pensamento para confundi-lo? Cuidado. Eu ia cometer mais uma falta. Ele não ficará confundido; ouvirá, encantado, sua adivinha, e louvará em voz alta a segunda visão que o amor concede.
E o que espera agora? Que eu caia em seus braços? Nada espanta um homem apaixonado. Eu queria que ele estivesse longe. Luto contra a necessidade de descansar, de me distender, de erguer uma mão e pedir: pausa, pare, não sei jogar esse jogo. Se a vontade vier, recomeçaremos, mas agora não tenho força para acompanhá-lo. Estou sendo apanhada a cada golpe, você vê.
Seus olhos vigilantes vão e vêm rapidamente de minhas pálpebras à minha boca, de minha boca às pálpebras, e parecem ler meu rosto. De repente, ele se levanta e se desvia, com brusca discrição.
— Adeus, Renée — diz, numa voz mais baixa. — Peço perdão por ter ficado tão tarde, mas Hamond me recomendou...
Protesto com um embaraço mundano:
— Isso não tem importância. Ao contrário.
— Sua porteira tem sono pesado?
— Espero que não.
Somos tão lamentáveis de tolice que a alegria me volta um pouco.
— Espere — digo de repente. — Prefiro que não acorde a porteira. Vai sair pela janela.
— Pela janela? Oh, Renée.
— É o térreo.
— Eu sei. Mas você não tem medo de que... de que me vejam? Um morador da casa poderia entrar nesse momento.
— Que quer que isso me faça?
Apesar de mim, pus na resposta, no levantar de ombros, uma indiferença tão desdenhosa que meu enamorado já não ousa alegrar-se. No fundo, essa saída à uma da manhã pela janela, pela janela do meu quarto, se faz favor, deve enchê-lo de uma alegria de estudante. Ah, que juventude.
— Pule. Isso. Adeus.
— Até amanhã, Renée?
— Se quiser, meu amigo.
Que juventude. No entanto, esse homem tem trinta e três anos. Eu também. Trinta e quatro dentro de seis meses.
Ouvi-o correr pela calçada, sob uma chuva fina e colante que gruda no pavimento e molha o parapeito da janela, onde fico apoiada como uma amante. Mas atrás de mim ninguém pisou a grande cama, banal e fresca, coberta por um lençol sem dobra, e que minha insônia resignada nem sequer amarrotará.