Capítulo 33 - A liberdade não basta A Vagabunda · Capítulo 33 de 77
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Capítulo 33 - A liberdade não basta

Capítulo 33 - A liberdade não basta

Que fadiga. Oh, mas que fadiga.

Adormeci depois do almoço, como me acontece às vezes nos dias de ensaio, e acordo tão cansada. Acordo como se chegasse dos confins do mundo, espantada, triste, quase sem pensar, os olhos hostis aos meus móveis familiares.

Um despertar, na verdade, parecido com os mais terríveis dos tempos em que eu sofria. Mas, se não sofro, por quê?

Não consigo me mexer. Olho minha mão pendente como se ela não me pertencesse. Não reconheço o tecido do meu vestido. Quem me destronou, enquanto eu dormia, do diadema de cabelos enrolados em torno da testa como as tranças de uma grave e jovem Ceres?

Eu estava... eu estava...

Um jardim. O céu cor de pêssego rosado no poente. Uma voz infantil, aguda, respondendo aos gritos das andorinhas. Sim, e aquele rumor de água distante, ora poderoso, ora adormecido: o sopro da floresta.

Eu voltara ao começo da minha vida. Tanto caminho para me alcançar de novo, até aqui.

Chamo o sono fugido, o escuro cortinado de veludo que me abrigava e que acaba de se retirar de mim, deixando-me arrepiada e como nua. Os doentes que se creem curados conhecem essas recaídas; elas os encontram puerilmente espantados e queixosos: mas eu achava que tinha acabado. Por pouco, eu gemeria em voz alta, como eles.

Sono funesto e doce demais, que em menos de uma hora aboliu a lembrança de mim mesma. De onde volto, e sobre quais asas, para aceitar tão lentamente, humilhada, exilada, ser eu mesma?

Renée Néré, dançarina e mímica. Era esse o alvo que prepararam minha infância orgulhosa e minha adolescência recolhida, apaixonada, que acolheu o amor com tanta intrepidez?

Ó Margot, minha desencorajante amiga, por que não tenho força de me levantar, correr até você e dizer...

Mas você só estima minha coragem, e eu não ousaria fraquejar diante de você. Parece-me que seu olhar viril e a pressão de sua pequena mão seca, rachada pela água fria e pelo sabão comum, sabem melhor recompensar meu triunfo sobre mim mesma do que ajudar meu esforço cotidiano.

Minha partida próxima? A liberdade?

Ora. A liberdade só é realmente deslumbrante no começo do amor, do primeiro amor, no dia em que se pode oferecê-la a quem se ama e dizer: tome, eu gostaria de lhe dar ainda mais.

Cidades novas, países novos, entrevistos, roçados apenas, que se fundem na memória. Existem países novos para quem gira em círculo como um pássaro preso por um fio? Meu pobre impulso, retomado a cada manhã, não aportará todas as noites no fatal estabelecimento de primeira ordem que Salomon e Brague me prometem?

Já vi tantos estabelecimentos de primeira ordem. Do lado do público: uma sala cruelmente inundada de luz, onde a fumaça pesada mal amortece o ouro das molduras. Do lado dos artistas: compartimentos sórdidos, sem ar, e a escada de ferro terminando em latrinas imundas.

Será preciso, durante quarenta dias, sustentar essa luta contra a fadiga, a má vontade brincalhona dos maquinistas, o orgulho furioso dos maestros provincianos, a comida insuficiente dos hotéis e das estações. Será preciso encontrar e renovar sem cessar em mim esse tesouro de energia que a vida dos errantes e solitários exige.

Será preciso lutar, enfim, ah, não saberei esquecer, contra a própria solidão. E para chegar a quê? A quê? A quê?

Quando eu era pequena, diziam-me: o esforço traz em si sua recompensa. E eu esperava, depois do golpe de ombro, uma recompensa misteriosa, esmagadora, uma espécie de graça sob a qual eu sucumbiria.

Ainda espero.

Um trinado abafado de campainha, seguido do latido de minha cadela, enfim me liberta de uma meditação tão amarga. Eis-me de pé, surpresa por ter saltado levemente, surpresa por recomeçar tão facilmente a viver.

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