Capítulo 14 - As antigas testemunhas
Capítulo 14 - As antigas testemunhas
Há ali, na primeira fila, uma mulher ainda jovem que foi, por bastante tempo, amante de meu ex-marido. Ela não me esperava esta noite, e eu não pensava nela. Seus olhos azuis dolorosos, sua única beleza, exprimem tanto espanto quanto medo.
Não é de mim que ela tem medo. Minha presença súbita a recolocou, sem delicadeza, diante da própria lembrança. Ela também sofreu por Adolphe. Teria abandonado tudo por ele. Quis, com grandes gritos e lágrimas barulhentas, matar o marido, matar-me também, e fugir com Adolphe.
Ele já não a amava. Achava-a pesada. Entregava-a a mim durante dias inteiros, com a missão, que digo, a ordem, de só devolvê-la às sete horas. Nunca houve tête-à-tête mais triste do que aqueles entre duas mulheres traídas que se odiavam. Às vezes a pobre criatura, esgotada, desabava em lágrimas humilhadas, e eu a via chorar, impiedosa diante de suas lágrimas, orgulhosa de reter as minhas.
Ela está ali, na primeira fila. Usaram todo o espaço disponível, e sua cadeira fica tão perto do estrado que eu poderia, com uma carícia irônica, roçar seus cabelos tingidos de louro porque embranquecem. Envelheceu em quatro anos. Olha-me com terror. Através de mim contempla seu pecado, seu desespero, seu amor que talvez tenha terminado por morrer.
Atrás dela reconheço outra. E depois mais uma. Vinham tomar chá em minha casa toda semana quando eu era casada. Talvez tenham dormido com meu marido. Isso já não importa. Nenhuma parece me conhecer, mas alguma coisa denuncia que me reconheceram: uma finge distração e fala baixo, animada demais, com a vizinha; outra exagera a miopia; a terceira se abana e repete obstinadamente:
— Que calor. Mas que calor.
Mudaram os penteados desde o ano em que abandonei todo esse mundo verdadeiro e todos esses falsos amigos. Usam o obrigatório capacete de cabelos postiços, cobrindo as orelhas, preso por uma larga faixa de fita ou metal. Isso lhes dá um ar convalescente e mal lavado. Não se veem mais nucas tentadoras nem têmporas vaporosas; veem-se pequenos focinhos, mandíbula, queixo, boca, nariz, que este ano assumem um caráter verdadeiro e impressionante de animalidade.
Nas laterais e ao fundo há uma linha escura de homens em pé. Apertam-se e se inclinam com aquela curiosidade, aquela cortesia ferina do homem de sociedade pela mulher dita decaída: aquela a quem se beijava a ponta dos dedos em seu salão e que agora dança, quase nua, sobre um estrado.
Vamos. Estou lúcida demais esta noite. Se não me recupero, minha dança sofrerá. Danço, danço. Uma bela serpente se enrola no tapete persa; uma ânfora egípcia se inclina, derramando uma onda de cabelos perfumados; uma nuvem se ergue e voa, tempestuosa e azul; uma criatura felina salta, se dobra; uma esfinge cor de areia loura se alonga, apoiada nos cotovelos, os rins cavados, o peito tenso.
Não esqueço nada. Recuperei-me. Essas pessoas existem? Não. Só existem a dança, a luz, a liberdade, a música. Só é real dar ritmo ao pensamento, traduzi-lo em gestos belos. Um único movimento dos meus rins, ignorantes de entrave, não basta para insultar esses corpos reduzidos pelo longo espartilho, empobrecidos por uma moda que os exige magros?
Há melhor a fazer do que humilhá-los. Quero, por um instante apenas, seduzi-los.
Um pouco mais de esforço. Já as nucas carregadas de joias e cabelos me seguem num vago balanço obediente. Eis que se apaga, em todos aqueles olhos, a luz vingativa. Eis que todas essas criaturas encantadas vão ceder e sorrir juntas.
O fim da dança e o ruído discretíssimo dos aplausos cortam o encantamento. Desapareço para voltar e agradecer com um sorriso circular. Ao fundo do salão, uma silhueta de homem gesticula e grita bravo. Conheço aquela voz e aquele grande manequim negro.
Mas é meu idiota da outra noite. O grande passarão. Não duvido por muito tempo, porque o vejo entrar, cabeça baixa, no pequeno salão onde minha pianista me alcança. Não está sozinho. Vem acompanhado por outro grande passarão negro, que tem todo o ar de ser o dono da casa.
— Madame — cumprimenta este.
— Monsieur.
— Permita-me agradecer por ter aceitado, de improviso, prestar seu concurso, e expressar toda a admiração...
— Meu Deus, monsieur...
— Sou o senhor Dufferein-Chautel.
— Ah, perfeitamente.
— E este é meu irmão, Maxime Dufferein-Chautel, que deseja tão vivamente ser apresentado à senhora.
Meu grande passarão de ontem inclina-se outra vez e consegue tomar, para beijar, uma mão que eu ocupava em recolher o véu azul. Depois fica de pé e não diz nada, muito menos à vontade do que em meu camarim.
Enquanto isso, Dufferein-Chautel número um amassa, embaraçado, uma envelope fechado.
— Eu... ignoro se devo entregar isto ao senhor Salomon, seu empresário, ou à senhora mesma.
Dufferein-Chautel número dois, subitamente vermelho sob a pele morena, lança ao irmão um olhar furioso e ferido. Agora são ambos igualmente desajeitados.
Que há nisso de tão embaraçoso? Tiro-os alegremente da dificuldade.
— A mim mesma, monsieur. É muito simples. Dê-me o envelope, ou melhor, deslize-o dentro da minha música. Confesso em segredo que meu figurino de dançarina não tem bolsos.
Os dois riem, aliviados e maliciosos. Recuso a oferta sorrateira de Maxime Dufferein-Chautel, que teme por mim os perigos dos Ternes. Posso voltar sozinha, apertar com alegria minha grande nota de quinhentos francos, deitar-me e dormir.