Os Condemnados - Bloco 07 A Trilogia do Exílio · Capítulo 7 de 87
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Os Condemnados - Bloco 07

Disse mal, hyperbolicamente, dos

varaas, onde a pintura se chagara em longos aynos.

Passou a insultar a sombra dos canteiros mal cuidados. Alma reagiu espicacada.

— Foi aqui que conheci a minha desgraca e o

mel amor.

Joao correu avido ao encontro do proprio sacrificio horrendo.

Estavas pensando nrelle?

Estava...

E' verdade?...

E' verdade.

Foram chicotadas de aco na noite.

Um moco bem vestido, com um monocuulo arregalado na pupiya direita, apertou a campainha do

rendez-vous. Seriam dez horas da noite.

Uma mulher, de cabellos curtos e loiros, veio

abrir e desappareceu para o interior, numa corrida

de louca alegre.

Na sala encerada e escura, onde ao piano tangava um rapaz curvo, um sujeito, afundado na cadeira de couro do canto, sorria por debaixo dos

bigodes. Ladeavam-no, muito perfiladas em outras

cadeiras, uma inglega que era professora de bailado:

e uma chilena gravida de sete meges.

A mulher de cabelyos curtos e loiros fez sentar

O rapaz de monoculo, disse-lhe num tropel que D.

Rosaura estava ogcupada, que quem mandava aquela

noite era ela e que havia outras la dentro.

Voce sabe, a Pippermint esta aí!

Num afobamento de dona de casa, tirou a jaqueta azul, fez servir whisky por uum garcon grave.

Da blusa sakia-lhe, sob a oxigenada cabelleira, o pescoco alvo e curto. O rapaz enlacou-a e beijou-lhe a

pelle branca e quente. Ela enervou-se: estava to-

mando conta da casa, nao queria saber de ninguem.

E foi para dentro aos pulos.

Ao som indisciplinado do piano, onde a chilena

gravida se sentara, o rapaz curvo e a professora

inglega

dansaram. A loirita voltou trazendo uma

extatica com olhos parados, numa toilette

mulher

pisada.

O piano claudicou.

Era a Pippermint, que tivera uma tragedia longinqua e andava bebeda pelas ruas e pracas. O Bentinho da Bolsa de Mercadorias amava-a dedicadamente.

A alcoolica espegtral parou. Da garganta saMiam-lhe sons inapreciaveis. Perguntava quem a

tinha chamado. A mulher loira sentoll-a como uum

bonzo magro. Repetiram-se as bebidas.

) rapaz curvo voltou ao piano.

Uma fulva creanca de vinte aynos vei@ vindo

la de dentro com um velhote. Parecia tonta. Ensaiou

no meio da sala alguns passos esbeltos, a tarantella

qlle rgsoava. Ria-se numa dsigualdade de tons, rocando pelo velho o corpo juvenil e mostrando a perfeicao dos dentes. A chilena gravida, na sua poltrona, esbodegava-se de alegria expansiva. A inglefa

torcia de riso o corpo franzino.

OS CONDEN

NADOS

Convencido, surdo a algazarra, o pianista continuava, de costas, a sonora melodia napolitana.

A menina de vinte aynos, que tinha o eatranho

nome de Alma, centralizava as attencoes, fazia mo.

mices ao muisico, jogava as pernas para o alto. O

rapaz de monoculo, que se levantara, passou-lhe a

bogca (duas vezes pelos cabelyos desgrenhados e cor

de labareda.

O homem, afundado na cadeira de couro do

canto, deixara de sorrir por debaixo dos bigodes e

espatifou de repente um copo no soalho. A bulha

crescell.

O rapaz perdeu o monoculo. A professora inglega gritava para a bailarina improvisada que executasse a Dansa das Horas. Bateram palmas. O velho

quis intervir. O rapaz, que perdera o monoculo,

investin para atracar-se com ele. Houve um tuunulto.

O piano parou. Mas um coro de adhesoes desencontradas e bebedas estrugiu, convenceu :

Dansa! Dansa!

moco zangado desfez a tromba: comprelendeu que estavam todos alegres. So a Pippermint se

conservava seria, de olhos fixos, inymovel na sua

cadeira. O velho foi sentar-se rindo.

rapaz curvo aynunciou que ia tocar a Salomé, aos berros; voltou de novo as costas; comecou

uma escala no teclado.

Esganando-se de gOzo da vida, o velho disse

que era Sao Joao.

Entao, ante a alegria tocada de fuiria sensual

da disparatada assemblea, com grandes risadas de

abandono, as faces em tijolo, os verdes olhos morticos, Alma dansou a versao lasciva de Oscar Wilde.

A vizinha redonda da frente que costurava

com as filhas e tinha, em letras pretas, um cartaz

na janella: Faz-se point a jour e trou-trou, chamou-a

no comeco caricioso da noite e perguntou-lhe se nao

precisava de um manteau e de um renard.

Num divay, Alma supplicava ao lado de Mauro.

permanecia impassivel, fumando.

Que bom ter um filhinho, um filhinho teu!

Deixa-o viver...

Tens certeza de que é meu?

De quem pode ser?

Erguera-se muito seria; deitou de novo a cabeca e ficou quieta.

Nao custa nada, disse ele. Conheco uma.

italiana que faz isso.

Nao quero, nao quero, Mauro.

Mas eul quero.

Houve um silencio.

Eu morro disso, murmurou Alma, num pres

sentimento.

E Mauro disse:

Se morresse!

Mauro deu-lhe a mao, fet@ levantar-se, depois

de um instante. No leito, ficaram coagulos quast negros de sangue.

Encostada a alle, Alma sahinu cambaleante e

sorrindo. Tinha um medo enorme de que o avo

soubesse.

A TRILOGIA DO EXILIU

Quase morrera. Passou uma semana

tragica

num quarto de D. Rosaura, que a tratou.

As outras foram visitat-a. Contavam-lhe as vidlas iguacs e os amores iguaqs. Todas tinham um

homem adunco que as espancava e lhes tirava o dinheiro precioso. E falando de Mauro, todas lhe diziam, cncordoando os puulsos raebiticos :

-Se fosse comigo!

velho avo permaneceu dias e noites na fogueira afcesa dos seus nervos. Fungava no leito,

pensando na desapparecida. O cao, sobre o tapete

desfiado, somnambulava antigas cacadas de ratos.

OS CONDEYNADOS

illuminou-se daquele sorriso,

quarto escuro

a casa torva tamben, a cidade crepuscular tambem,

O ergastulo do mundo tambem.

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