Os Condemnados - Bloco 08 A Trilogia do Exílio · Capítulo 8 de 87
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Os Condemnados - Bloco 08

doloridos, ea

seios

Sozinha, sentindo

apertara uum biquinho duro e vira, num assombro,

despontar do imperceptivel manancial uma gotya

branca de maternidade.

Sentindo-se melhor, saliu chorando, na madrugada. Tomou un taxi chorando, foi para casa chorando. O chauffeur tinha uma cara redonda e

branca. A cidade neblinava indifferentemente.

Camilla Maia, uma perdida elegante, veiw visitata, com o seu pequeno sorriso, na Rua dos Clerigos. O velho Lucas nao disse nada, deitado no leito

guinchante.

raiva, lembrava o Amazonas,

Numa sentida

onde vivera, e os sobrinhos que tinham querido Alma

em pequenina e depois o haviam abandonado. Anthero d'Alvellos, fazendeiro rico em Yacanga, havia

de pagar, depois da morte, tamanha desgraca.

Joao do Carmo levantou-se as duas horas do

dia guente. Alma, na vespera, fingira nao o ver.

Foi procurar Frederico Carlos Lobao na sua

agua-furtada de desenhos grudados. Nao o encontrou. Tornou desolado ao quarto da Avenida Tiradentes. Lobao esperava-o

a porta. Trazia uma novella, cheia de psicologia, no bolso. Leu-a, num

banco calmo do Jardim Publico da Luz com a voz

tonitroante, acompanhada de gestos gordos e eguaes.

Esfalfou-se nos pedacos maiores. De longe em longe,

aves excitadas gritavam. Joao distrahira-se. Com os

bracos cruzados, ouvindo confusamente, pensava em

Alma.

Depois de lhe pedir a opiniao com sinceridade,

Lobao passou uma descomponenda nos governos que

nao protegem os artistas nem aproveitam as vocacoes.

O telegraphista, de folga, tinha a noite livre.

Falaram litteratura. Joao do Carmo empolgou-se um instante, mas veivlhe logo uma canceira mortal. Dentro delle havia so o coracao que

amava.

que jantassem no ·Hotel ReLobao propog

becchino. Rachariam a despega. Sentaram-se ao

fundo da sala pobre. Casaes com creancas e homens

simples do interior vieram devagar, apinharam as

mesas, onde espigados vasos de vidro punham notas

fanadas de flores.

Ao calor amavel de um botelhao de Chianti,

Frederico Carlos foi imprevisto, foi pigtoresco. Para

O outro, um instante esquecido, narrou uma viagem

quie fizera ao sul de Minas.

Seriam oito horas quando subiram ao centro.

Joao do Carmo teve um lancinante silencio, pelas

ruas, sem ouvir o bohemio que falava sempre.

Na esplanada do Municipal, a fanfarra da policia tocava um trecho da Boheme de Puccini, em

meio do povo. As saudades falhadas cresceram no

peito amoroso.

Deram de cara com um amigo copimum, so,

parado em nervos, no Viadugto. Chamava-se Dagoberto Lessa e nunca conseguira nada da vida. Dis-

se-lhes d@ chofre, como quem tem uma velha idea

a despejar:

— A esperanca é um espeto onde sempre falta

o assado.

Lobao desemburrou-o a forca de risadas gelatinosas de todo o corpo. Joao despediu-se, cada vez

mais vencido.

E ficou andando, sem destino, até a madrugada

perfumar os jardins calados da cidade.

Alma queria ter um gatinho, passar no decote

do vestido, pelos seios nuis.

O velho pedira-lhe que sommasse o caderno da

venda. E, como antigamente, ela dizia alto, na mefa,

recoberta pelo desbotado panno xadrez, perto do

moleque, crescido, de pe, escutando :

Fuba... 400 réis; alpiste... 400 réis; cebola...

200 réis...

coMeirinha bisonha que

alpiste era para a

o avo comprara na porta numa ingenua festa, quando

eYa regressara.

Mauro reappareceu.

E ela teve dias pela casa, sentindo um aperto

em cada canto; ouutros, uma alegria em cada porta.

Interrogava as paredes, o passarinho, o cachorro

idiota e pelludo.

Voltava-lhe

vezes, para inundar o coracao

peqieno, aquelya

tristeza que pedia mais...

Mauro levou-a para jogar pocker a uma casa

baixa e ilhminada da Ponte-Grande.

Oh! que canceira fulminea da vida aos vinte

anos!

Deitou-se ao leito conhecido, com uim teleghone

a mega da cabeceira. Tinha fechado a porta para que

ninguem viesse. Tomou o boiao de ether do aparador. Ensopou dois lencos de linho.

Aquelya molleza gostosa... uma vertigem fria

subindo... e uma vontade indecisa de nao sei que..

subindo sempre... Afrouxara-se-lhe o no da vida...

O homem de preto era cor de cinza... Aquela cara...

Uma vertigem boa que a levava... E o passarinho

ria calado... ria... cor de palha... Caras... Caras...

Caras... Subindo... Porque tantas caras? E a moy

leza amarella que a abracava, que a levava, que a

suffocava de labios tontos... Levava-a, fazia-a rodar

e subir frio... As caras desfilavam, subiam, fugiam,

sem barulho, sem nenhum barulho... por impalpaveis

saloes... por...

Esperou o velho dormir e veiv num bonde até

a cidade. Estava nun tailleur esbelto, de gola alta.

Os convites de aventura passavam por ela, sem

accordo.

GSCONDEI

NADOS

A fanfarra da policia concertava ao ar livre, no

amphitheatro de luzes do Municipal.

ultimas mesas. Pediu

Sentou-se a uma das 1

whisky. Achava horrivel a droga, mas bebia até

perder a liltima vigilancia da lucidez.

Fazia-se tarde. Foi pelas ruas andando. Um

gemido integral do espirito, com vontade de ser gritado, afogava-se dentro dela.

A madrugada surprehendeu-a, mysteriosa, num

jardin de choroes. Ficou parada na ponte abaulada,

sobre o lago sujo da Praca da Repuiblica. De repente,

concha

gritou. Um vagabundo que bebia

aguia

das maos, entre pedras, ergueu a cabeca apprelensiva. Perceberam-se num mutuo receio. E partiram

em direfcoes oppostas, pela noite.

Eram sete horas. Ficara no rendez-vous o dia

todo e nao agceitara ninguem. Tinha fome. No bairro

distante, o velho avo havia jantado o seu pequeno

jantar, dando de comer ao cachorro.

Elya agora nao sonhava mais, como em crtanca,

ter um marido, uma casa com crgados, bebés de

cachos e lacos de fita na cintura.

Foi procurar Mauro no bordel da Yvette, para

pedir-lhe cinco mil reis.

Joao do Carmo tomara-se de uma suprema inquietacao amorosa.

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