Os Condemnados - Bloco 23 A Trilogia do Exílio · Capítulo 23 de 87
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Os Condemnados - Bloco 23

Levalto-iam maos eAtranhas, por caminhos incertos. E della, ele carregaria somente o odio maravilhoso.

La dentro, no corpo torcido de desgosto, a

aynexite adquirida trabalhava. Era um beliscao re-

pentino do lado esquerdo que amortecia o ventre

todo.

D. Genoveva mandou chamar o medico grisalho.

Numa serenidade xcenica, élle examinou demoradamente a crqanca agitada. Falou em cholerina, disse

que era grave, receitou e partiu.

Uma gotteira inundava lentamente o quarto. La

fora, um diluivio tomara conta do ceu e das ruas.

A noite envolveu-os. Uma lamparina empalidecia a um canto.

Alma escutava o barulho da chuva. De hora em

hora, pisava com os tacoes altos o quarto alagado,

ia buscar a colher de remedio e trocava os paynos

ihmundos.

Oh! as prcmessas da vida! A procissao em que

se vestira de anjo e fora tropecando as perelle

ninhas rolicas no cortejo sacro, entre padres e virgens, com banda de muisica atraf.

Havia um rei...

elye era o reizinho de mamae... o reizinho da caminha de pau laque...

Vira-o peorar na madrugada seguinte. Todos os

falsos valores, todas as sombras ladras qlle a prendiam, tinham fugido. So ficavam na penumbra os

remorsos, serenos como carrascos tartaros.

Espegtros dos crimes passados estacavam no ar,

como chicotes iyhmoveis.

NADOS

OS CONDEI

Ela desdobrara as agas ao convite flexuoso da

terra, sem se importar com as existencias idas, com

as existencias que viriam.

Mas todo o ridiculo tragico de sua vida voltou...

o drama diario da sua maternidade obscura, da sua

maternidade incomprehendida, apesar de se terem

rachado os seios na amamentacao... Oh! o sangue

que perdera, e as lagrimas! Tudo consolado por um

pequenino riso que nao vinha mais.

inutilmente na quinta

appareceu

medico

manha.

enterro sakiu da casa pequena as quatro

horas.

A tempestade passara e fazia calor.

Alma, de o!hos sedcos, fora levada para os

fundos, pela velha comrpassiva. Duas vizinhas de

preto seguiam-na. Ficou sentada a uma cadeira de

palha, sob a telha-vay da cozinha.

Ouviram-se pelo corredor os passos arrastados

dos que saMiam, creancas levando flores, homens

carregando o caixao.

Ela sentiu que Luquinhas ia-se embora. Balbuciante, disse-lhe o nome entre solucos, tremendo,

toda torcida. E agarrou-se nervosamente as outras.

A sua pobreza vital transfigurou-se de tragedia. As

pupilas marinhas, entre os grandes cilios, supplicavam indizivelmente.

Nao deixem ele ir sozinho! Nao! Nao!

Depois, os cabellos desfeitos pelo rosto, -fulvos

e molhados, dobrou-se, cahiu pesadamente nos tijolos, muda e selvagem.

enterro ordenou-se no meio da rua, num coOresoluto de marcha. Um menino de bogca

meco

aberta, tropecando, juntara, sob o braco, os chapeus

dos vizinhos piedosos. As outras creancas conversando, abriam o prestito, de vermelho, de azul, de

branco.

Pressuurosos, grandes e pequenos apedrejaram O

grandes pedacos de

caixao humilde e azul, com

terra molle. Os primeiros punhados bateram ruilosamente sobre as tabbas que fechavam la em baixo,

para sempre, o cadaverzinho coroado.

O coveirc de bigodes hirsuitos e grisalhos despejou pas cheias na cova. O barulho abafou-se: ficou o barulho de terra atirada sobre terra.

a guardava dele um pequenino retrato carElla

bonado pelo tempo. Fora tirado por um photograho ambulante, nuna tarde de sol, no Jardim Pu-

blico, entre coqueiros tremulos e gritos espacados

de aves invisiveis.

Sumia como um rato arisco. Estava aqui, ali,

desapparecia...

Iam encontrat-6 trepado no caixote de sabao

da cozinha ou afogando no banheiro vasio a desgrenhada Neca Caleluda...

Na sala antiga, D. Genoveva, de oculos, pedalava a mathina de costura.

A bordadeira redonda, embrulhada em setineta e

cheirando mal, cuspilhava insultos na noite branca.

Nao pagou o vestidinho de seda creme de

seu filho! Ficou devendo a camiseta...

Dele, eu paguei tudo. So nao acabei de pagar o meu vestido de filef.. Delle, paguei..

Nao senhora. Emfim, deixemos a creanca,

ela esta no Pais

da Verdade... Mas a senhora nao

pode jurar com a mao sobre o livro do Evangelho...

Luquinhas estava no Pais da Verrdade. Alma

sentiu abrandar-se a ferida que a femeaca lhe abrira

no peito, insinuando que devia roupas do mortinho.

Luquinhas nao devia nada, eye estava no Pais da

Verdade...

-- Nao paga os vestidos...

Um homem passou, voltando a cabeca curiosa.

Nao grite, por favor...

Grito... é o meu rico dinheiro que eu quero...

Pague...

No fundo indeciso de Alma, uma revolta levantara-se em muletas cynicas. Teve

impetos de

janela das

negar que devesse. Notou que a irma

proximidades, na rua desolada, cheia de arvores. saMira gente para escutar a altercacao.

- Se a senhora grita assim, nao pago.

Entao a vibora gorda cresceu, inundou-lhe os

espantados olhos de cuspo.

Alma-desvencilhou-se nervosamente e correu.

A mulher ficou esbravejando. A janela surgiu

mais gente para ver. E a silhueta redonda, no tribuconquistado do reverbero domestico, adcusou,

nal

desconchavando os gestos na calcada.

A procissao parou. E, do grupo em crepe las

carpideiras, a mulher alta que fazia de Veronica

subiu a cadeira, cantou inexpressiva em meio do

expressivo cortejo.

Trec-trec-trec-trec-trec!

A matraca reencetava a caminhada noyturna e

herdica, que fazia, na cidade aculada de espanto convencional, o enterro de Christo.

E, de novo, a musica chorou.pelos trombones

em desfalecimentos exaggerados, depois obstinou-se

num rythmo de passos demorados e certos.

- Bum! Pa! Bum! Pa!

As lanternas em torno ao paflio, amachucado

no alto dos varafs, cabeceavam. Ia adeante, na frente,

aynunciando o cataclysma, ia a cruz de pau preto,

a balancar um M enorme de linho. E fieiras vaciX

lantes de tochas guardavam os andores.

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