A Escada - Bloco 26 A Trilogia do Exílio · Capítulo 81 de 87
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A Escada - Bloco 26

O amigo devotado conduzia uma

mulher magra, amarela e escultorea ate o refugio onde Jorge tentava renascer num alento desesperado. Tinha-a descoberto no barulho de uma redacao de jornal.

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Discutiam no atelier.

- Tudo esta errado. Nao so a sua arte,

como a sua vida.

Carlos Bairao ria.

Somos um setor atrasado da luta de

classes.

A Mongol sentara no vasto diva. As

suas macas

osseas sorriam

simpatia

uma

amorosa por dentes agudos e alvos.

Grandes desviados! Que fizeram aqui

voces, enquanto nos transformamos o mundo?

Jorge sentara-se a seu lado, alegre, feliz

de se penitenciar:

-Preguei um tiro no peito.

Seria ela a companheira de que preci

sava?

A ESCADA VERMELHA

A que lhe tinham prometido todas as efusoes mal compreendidas? Seria ela?

Que figura espantosa!

De novo so, a um canto do atelier que

falava no silencio,ele se sentiu subitamente

persuadido. Chaavam-na somente a Mongol.

Era uma revolucionaria militante ligada

ao subterraneo humano da Terceira Internacional.

Tomara o poder com Bela-Kun na Hungria. Fora torturada na China, atirada e ferida pela policia burguesa nas ruas de Berlim.

Como viera ate ele? Como aparecera?

A reivindicacao sentimental precisou-se.

Com essa mulher integral, livre, renovar

a vida, agora conciente.

Pela primeira vez alguem lhe falara que

havia um mundo novo. De Arkanjel a Harbin, a sexta-parte da terra se tornara a patria

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organizada de todos os revoltados, de todos

os oprimidos.

Havia um mundo que justificava os protestos de sua vida.

A Russia vermelha tomou conta do cerebro de Jorge.

Sentiu um confuso rodar de tumultos.

Estava no atelier onde viera esperar a

sua nova amiga.

Pela primeira vez, alguem lhe quebrara

as hipnoses ancestrais.

Pensava em partir com ela, em ligar-se

ao seu agitado destino, em ser um artista ano

nimo da Revolucao.

Pequena e dourada ela era uma inquietacao alegre e intimativa. Fizera-o lér os revo.

lucionarios sociais e conhecer os pintores

murais mexicanos.

A ESCADA VERMELHA

ele. Camara-lhe pequeDiscutira com

no burgues lancinante. E ele —“o grande

identificara-se subitamente.

D'Alvelos"Era de fato uma formacao feudal desarrazoada e monstruosa em pleno seculo vinte.

Os seus casos com Alma e Mary Beatriz,

a sua arte abstrusa, Nora, as suas esculturas

retorcidas, o seu soturno apartamento da luta

diaria do mundo, o que era tudo isso senao

recalques, aspiracoes e sofrimentos de uma

sub-classe do mundo feudal capitalista que c

Brasil ainda nao liquidara? Mais nada!

Que fizeram voces aqui, enquanto

transformavamos a terra?

O seu atraso sobre os horarios do mundo

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precisou-se.

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