A Escada - Bloco 26
O amigo devotado conduzia uma
mulher magra, amarela e escultorea ate o refugio onde Jorge tentava renascer num alento desesperado. Tinha-a descoberto no barulho de uma redacao de jornal.
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Discutiam no atelier.
- Tudo esta errado. Nao so a sua arte,
como a sua vida.
Carlos Bairao ria.
Somos um setor atrasado da luta de
classes.
A Mongol sentara no vasto diva. As
suas macas
osseas sorriam
simpatia
uma
amorosa por dentes agudos e alvos.
Grandes desviados! Que fizeram aqui
voces, enquanto nos transformamos o mundo?
Jorge sentara-se a seu lado, alegre, feliz
de se penitenciar:
-Preguei um tiro no peito.
Seria ela a companheira de que preci
sava?
A ESCADA VERMELHA
A que lhe tinham prometido todas as efusoes mal compreendidas? Seria ela?
Que figura espantosa!
De novo so, a um canto do atelier que
falava no silencio,ele se sentiu subitamente
persuadido. Chaavam-na somente a Mongol.
Era uma revolucionaria militante ligada
ao subterraneo humano da Terceira Internacional.
Tomara o poder com Bela-Kun na Hungria. Fora torturada na China, atirada e ferida pela policia burguesa nas ruas de Berlim.
Como viera ate ele? Como aparecera?
A reivindicacao sentimental precisou-se.
Com essa mulher integral, livre, renovar
a vida, agora conciente.
Pela primeira vez alguem lhe falara que
havia um mundo novo. De Arkanjel a Harbin, a sexta-parte da terra se tornara a patria
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organizada de todos os revoltados, de todos
os oprimidos.
Havia um mundo que justificava os protestos de sua vida.
A Russia vermelha tomou conta do cerebro de Jorge.
Sentiu um confuso rodar de tumultos.
Estava no atelier onde viera esperar a
sua nova amiga.
Pela primeira vez, alguem lhe quebrara
as hipnoses ancestrais.
Pensava em partir com ela, em ligar-se
ao seu agitado destino, em ser um artista ano
nimo da Revolucao.
Pequena e dourada ela era uma inquietacao alegre e intimativa. Fizera-o lér os revo.
lucionarios sociais e conhecer os pintores
murais mexicanos.
A ESCADA VERMELHA
ele. Camara-lhe pequeDiscutira com
no burgues lancinante. E ele —“o grande
identificara-se subitamente.
D'Alvelos"Era de fato uma formacao feudal desarrazoada e monstruosa em pleno seculo vinte.
Os seus casos com Alma e Mary Beatriz,
a sua arte abstrusa, Nora, as suas esculturas
retorcidas, o seu soturno apartamento da luta
diaria do mundo, o que era tudo isso senao
recalques, aspiracoes e sofrimentos de uma
sub-classe do mundo feudal capitalista que c
Brasil ainda nao liquidara? Mais nada!
Que fizeram voces aqui, enquanto
transformavamos a terra?
O seu atraso sobre os horarios do mundo
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precisou-se.