Os Condemnados - Bloco 11 A Trilogia do Exílio · Capítulo 11 de 87
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Os Condemnados - Bloco 11

Corregtissimo. Nao ha homem como aquele!

Mas a paixao della

agora sao os meninos do

Mackenzie. Esta farta das roupas e das joias que

o Mattos lhe deu...

Joao sentinu uum vexame de nao lhe poder

offe

MNADOS

OS CONDEN

recer tambem aquilo. Se eira quigesse comprehenderlhe o thesouro de amor. Esse era seu, fora sempre

sell...

Perguntou-lhe despeitadamente por Mauro que

deixara de apparecer. Se nao voltasse nunca mais...

se morresse.

Joao palpitava de profundas esperancas. Oh!

Se fosse possivel tetfa afinal so para ele, mesmo

assim, prostituida, desmoraligada, vendida a cidade...

Ao encontro dos, seus inconfessados desejos,

ela veiw uma noite, timida, suave, transfigurada.

A sua vida nao tinha sido como diziam: ela

nao era a debochada que pensavam.

Na sombra tropical, sob o peso lascivo dos

jasmins, rescendia-lhe o corpo claro a Yvonette.

E o coracao do homem bom badalava que sim,

que ela nao era a debochada que queriam: era santa,

era santa, era santa!

Foi assim qule Joao veip a saber a relacao romantizada do dia a dia pobre daquela vida, que

devia ter sido salva pelos seus bracos musculosos.

Ele tinha acompanhado de preentimentos inertes o demorado martyrio.

E porque nao interviera antes, nao gritara &

policia, aos que passavam, a vigilante inquisicao

terrena? Porque?

Emitanto, Mauro apparecia, naquelle

e romance,

santificado. Nem uma queixa raivosa contra éllée,

nem uma dor magaada contra os seus processos terrificantes, nem um insulto.

Uma vez, exigiu que ela dissesse mal d'ele.

E Alma recusou-se, estagnada, no jardim.

Elke partiu, gesticulante, pelas ruas do bairro.

Passou, de novo, meia-hora depois. Ela havia ficado

sentada aos degraus da entrada, pensando. Quando

percebeu a silhueta longa, sob o chapeu de palha,

correu nos tacoes, gritou. Ele veiw. Elya estava disposta a dizer todo o mal insincero de Mauro, para

que a salvassem da final colera do velho... Mas o

passeio, o ar da noite, o tropel das reflexoes e o amor

OS CONDEMINADOS

Ele nao pediu

o tinham dissuadido

suavemente.

mais nada. Ficaram até tarde amorosamente se

perdoando.

Alma tomou nas duas maos, que tinha grudadas

as grades, a resolucao sobrehumana de explicar-lhe

tudo. E ele nao compreMendia, embevecido no idyt

lio em que se lhe apodrecia beneficamente a vida.

Como ela lhe tivesse telephonado

para o eminterpelou-a chegando. Alma sorria numa

prego,

malicia visivel e triste.

Ele ficou suppondo qlle se tratasse de uma

reapparicao intempestiva de Mauro, de um retorno

amoroso ao velho par.

Mas, subito, a um gesto largado e proposital

deYa, percebeu o ventre saltar, como ima cobra que

morde, na roda frouxa do vestido. Uma suspeita

enlouqueceu-o. Seria possivel... ele andava tao longe!

empallidecido como

morto

Interrogou-a

que falasse. Ela permaneceu linda e quieta, de cilios baixados.

Era verdade! Alna estava gravida, agora que

amava, que era o seu futuro, quasP que a sua

noiva redimida! Estava gravida de outro.

Tao visivel fora a expressao de horror na mascara do moco namorado, qure Alma, de alvas escancaradas, falou num salvador instingto:

Sei que sou indigna do teu amor. Sou uma

infame.

Ele

partira sem dizer nada. Fora andando.

ficara presa ao portao, numa resignada e treElla

mula angustia. Sorria da sua negra sorte invencida.

caminhava sobre as ruinas do seu sonho

desfeito. Todos os seus gestos eram desencontrados

e pediam piedade para o alto. Oh! a idea fixa de

jogar um dramalhao definitivo —

mataf-a

ematar-se, encher de sangue os jornaes!

Recapitulou tudo pela noite ahasverica. Deitou-se as tres horas raciocinando sempre, de olhos

Chegara a porta infernal de um dileyhma:

enormes.

o amor perdoa tudo, resgata tudo — ele nao podia

perdoar.

E calin ao leito antigo e duro, até o sol vir

espancar o pesadelo da terra.

Dagoberto Lessa fechara com lyelcamaradagem

diaria.

Andavam ao léd pela cidade, ou paravam no

escuro ambiente das cervejarias do centro.

Uma noite, Joao do Carmo penetrou, sob a

capa de borracha iynundada de chuva, na casa que

O outro habitava, com a familia numerosa, 46 Rua

Monsenhor Anacleto.

Resolvera contar-lhe tudo, pedir-lhe conselho,

diregcao, auxilio, salvamento.

Num pijama de listas, o calvo ria-se muito de

O ver assim, naquela primeira visita, vindo nervosamente a pé, sob o aguaceiro que lavava as ruas.

TEILOGIA DO EXILIO

Joao atirou a capa encharcada ao chao. Sentoul-se

e (lesabafoul.

Do quarto vizinho, a lithurgia da casa vinha

num vago tra-la-la de adormecer.

O apaixonado falou, falou, até despejar a alma

entumescida de segredo. E perguntava repetidamente, de olhos fixos, se ainda devia crer na honestidlade della.

O outro distralira-se, pensando. De repente.

abrin uma caixa qule se dissimulava entre livros e

tirando uum caderno branco :

-- Vou corresponder a tua confianca.

Tinha um aspecto de revelacao. Numa cattela,

abriu um maco de paginas escriptas, afcendeu uum

cigarro :

E' uma coroa de lembrancas tecidas no ayiniversario de um primeiro beijo...

E,de olhos medrosos para a porta interior, leu

soturnamente, evocando uma luta, uma resistencia,

uma cabelleira virginal e um vestido branco.

Nao queria ir. Mas cedeu.

juntos o dia 13 de Maio, em

Foram passar

Santos. Dagoberto recitou versos, depois do almoco,

na praia de sol.

O comboio saiu lentamente da penumbra da

gare. Joao do Carmo fechou a vidraca e atirou-se

ao lado do companheiro no sofa do carro.

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