A Túnica Inconsútil - bloco 07 (p. 473-480)
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A PROMESSA
I I SuMO SACERDOTE, o Principal, o Majestoso Oficiante, 11 Uispo, o Presbítero estavam no Padre único qut! subiu para I o Altar. h 11 belo. era meigo, era homem e era Deus. &'111 um ângulo da Trindade enfincado na Pedra mmo um cometa imenso iluminando a Terra. I: detrás do imenso altar, vu1cs o acusaram. mãos surgiram e lhe traspassaram o peito. 11 o Majestoso Oficiante se transformara em vítima; t• nas mãos que o sacrificavam ~·~lavam as suas próprias mãos que eram as mãos do Pai, wm a promessa milenar que se cumpria então.
MARTA E MARIA
Tu TENS nas tuas mãos as duas irmãs de Cristo: n que escreve. a que trabalha, a que propaga a palavra olivina, a que louva e proclama a sua glória e a sua poesia; e a que silenciosa ampara a tua fronte pendida nntle irão cravar uma coroa de espinhos.
ALTA NOITF. QUANDO ESCREVEIS À SeNHORA HI!ITO& USAI
ALTA NOITE, quando escreveis um poema qualquer \em sentirdes o que escreveis, olhai vossa mão - que vossa mão não vos pertence mais; ,,Jhai como parece uma asa que viesse de longe. Olhai a luz que de momento a momento
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sai entre os seus dedos recurvos. Olhai a Grande Mão que sôbre ela !iC abate c a faz deslizar sôbre o papel estreito, com o clamor silencioso da sabedoria. com a suavidade do Céu ou com a dureza do Inferno ! Se não crêdes, tocai com a outra mão inativa as chagas da Mão que escreve.
OS GESTOS
SEI QUE SERE! mudo e que tudo se fará sem mim. Virão amigos à última hora convidar-me? Mas crêde, irmão, que tenho a direita e a eiqucrda [em oração, ou unidas em cruz sôbre o peito comum. E tudo que depender dêstes gestos cristãos, tereis de minha renúncia, tereis de minhas mão5, tereis do imenso silêncio que aprendi do eterno Silericio!lo, tereis da solidão que herdei do eterno E!lquecido. Nada posso fazer de mais por vós. porque :ele sempre me precedeu. Irmão, crêde: nós todos somos estrungeiros, neste mundo, e a nossa pátria é a d'~le de que fomos exilados. E, agora e sempre seremos solicitados a cair por mais que contrariemos com o orgulho c com o avião a [ da gravidade. Irmão que fechais o punho ou que alçais ü braço em sau- [ dações aos guias, juntai a vossa mão direita à vossa mão esquerda. em oração, em cruz sôbre o peito comum !
O RIO E A SERPENTE
O RJO E A SERPENTE são misteriosos. meu filho. Do cimo desta montanha dois círculos do Eterno estavam.
I I!NICA. lNCONSOTJl-
Um círculo era a serpente. o outro círculo era o rio: ambos se despenharam procurando ambos o homem. uma para o purificar, c outro para o envenenar. Ambos foram encontrar u homem simples lá embaixo. Um lhe ofereceu o Peixe para o alimentar. n outro lhe ofereceu o fruto para o intoxicar. O rio c a serpente são misteriosos. meu filho. Oas nuvens se despenharam. amhos se arrastam na terra como dois caminhos do homem. para ~lt.• se guiar. O rio c a serpente são misteriosos. meu filho: vêm uo comêço dali coisas. correm para o fim de tudo t.• às vêzes na água do rio
MADALENA, CRISTO E O NOVO SALOMÃO
I I 1 uno RARO devia nascer de ti, ó mulher infecunda. I lu amá-lo-ias como filho, como mestre e como rei. I o filho raro que nenhum homem te deu h·• ia a tua beleza e a tua juventude, màc única do filho único, do mestre único. f k seria sábio, êle seria eterno, êle encerraria
476 IORGE DE LIMA I OBRA COMPLETA I VOLUMF. I
em s1 tôda a sedução do filho, do amante, do Senho1 - da carne que se beijasse e se diluísse em espírito. E o solicitasse em vão a todos os homens que to pudessem E encontraste-o um dia em casa de Simão: era teu filho vivo que pertencia a outra, mas que uma nova justiça dava a tôdas as mães.
DAI A DEUS O QUE :e DE DEUS
DAREI A CÉSAR a bandeira da pátria em que a nobreza de César está gravada; darei a César o livro em que a história de César está para os homens do tempo; darei a César os dízimos porque César é o dono dos cunhos por vontade de Deus; darei a César os textos da lei em que o poder de César está inscrito; antes que a moeda se enferruje, darei a moeda a César em que a efígie de César está gravada; E depois darei César a Deus pois em César está gravada a figura indelével de Cristo.
OS LADROES, OS ENFORCADOS E OS DANÇARINOS
() PEQUENO LADRÃO, abençoado ladrão que roubas pão para matar a fome dos teus, que roubas dos ricos o que é teu c dos teus; ó grandes ladrões que roubais até a camisa dos [ drões; quando a cortina do templo se romper, \>amos ver a cabeça do Pai para onde pende, vamos ver quem estará leve para subir com ~le. O grandes ladrões se ~le não valesse apenas 30 dinheiros
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111·" alguns milhares de dinheiros. 1•lnricis com e.Ie quando a cortina se rompeu. '•I" Fie não fôssc um Rei nu, coroado de espinhos. 11111~ o rei do petróleo ou magnata qualquer, •••larícis com e.Ie grandes ladrões. 1) pequenos ladrões, 1'11 'aúdo o vosso padroeiro canonizado por Cristo no primeiro I dia. 11 grandes ladrões, reparai bem que há no fim de cada uma I de vossas transações 11 rorda que vos enrola há dois mil anos desde o negro mo- I mento da traição. l)lll'lll dá mais pela grande corda ? '~•·nhores. é para o testamento dos grandes ladrões. I) quem dá mais pela imensa corda ? I '' pobres que são leves e são ágeis c não caem v11am a corda estendida através dos milênios; ,. porque são os palhaços de Cristo, dançam na corda rnda vez mais distanciados da figueira c dos dinheiros da r traição. r 1 pequenos ladrões, ó pobres, ó cristãos. 1'11 'aúdo o vosso padroeiro canonizado por Cristo no primei- ! ro dia. I) vós que dançais, 11 vós que vos esforçais, nf111al a corda é uma grande atração !
O POETA JACO PARA MANUF.l. ANSELMO
I' Fll TE DIREI, Labão, em qualquer instante, na planície ou r no deserto, 1'111 frente ao Mar ou diante do céu, sob qualquer juramento, q11c esperarei Raquel mais sete anos e mais sete se quiseres; •uhcrei amar Raquel em Lia c transportar à tua filha mais [velha 111do o que me agrada em tua filha mais rnôça. transportarei a ela não só o rosto formoso e a gentil presença
mas o que mora dentro do rosto formoso e da gentil nrl~lõenrutt. e os filhos de tua filha mais velha terão a beleza e o de tua filha mais nova; cu sou pastor e sei orientar minhas ovelhas e suprir [espírito generoso o calor c a alva lã que faltar nelas. E farei Lia a grande musa em frente do Senhor; c emprestarei o meu espírito em nome de Raquel [de Lia. c o Senhor vendo-a preferida por mim. torná-la-á fecunda nlargando a casa de meu Pai; comporei os cânticos de Lia, alegrarei o sorriso de Lia, farei que meus. irmãos amem em Lia o espírito de Raquel c o [espírito e o espírito do Senhor uno comigo: perdoarei os defeitos de Lia, gostarei de seu desgôsto, de seus caprichos, de suas c de suas maldades sem motivo, porque é Raquel que eu perdoando c amando e esperando; e dormirei sete anos com Lia; e Raquel me visitará em e contaremos então a prole imensa que ela me dará através [irmã. E depois de sete anos c mais sete se quiseres. quando me [Raquel, · terei os filhos de carne de Lia para louvarem os filhos do espírito de Raquel que é teu espírito, Senhor; e a casa de meu pai será aumentada pelo espírito que cria pela carne que o espírito transformou .
CONVITE PARA A ILHA
NÃo DIGO em que signo se encontra esta ilha mas ilha mais bela não há no alto mar. O peixe cantor existe por lá. Ao norte dá tudo: baleias azuis, o ouriço vermelho, o bôto voador . A leste da ilha há o Geyser gigante deitando água morna. Quem quer se banhar? Há plantas carnívoras sem gula que amam . Ao sul o que há? - há rios de leite,
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li;i !erras bulindo, mulheres nascendo. 1.11/0:s suhindo. lagunas tremendo. ntqueiros gemendo. areias se cntrcahrindo. o\ oeste o que há'! - não há o ocidente nem coisa de hi: a terra está nova: devemos olhar o sol se elevar. I onvido os rapazes e us raparig~1s p1 a ver esta ilha. correr nos seus bos4ues. no~ vales em flor. nadar nas lagunas, 111 inc;~r de csconde1. dormir no areal. ··açar os amôres que existem por lá. c J sol da meia-noite, a aurora boreal. " cometa de Halley. as môças nativa
AFASTAI-VOS DE r>.IJ\1
1\1 A'>TAI·VOS de mim, ó tôdas vós lJUC sob wndcJoras de amor . •. aproximai-vos de mim, " v,randes amorosas virgens ou prostitutas, "d111tcras ou grandes santas; 1 minha Musa lavar-vos-á os pés,
1 ' " ungirá com um perfume caríssimo,
e depois de conduzir-vos à praça pública vos jogará a primeira flor; porque vos reconhecerei através das parábolas do Rei; porque participareis em tôdas as bodas com ~Je; porque sois as eternas virgens prudentes que o podeis amar. Afastai-vos de mim, ó tôdas vós que sois vendedoras de
PARA DEGOLAR O CHEFE
ENTÃO NÃO HOUVE mais água porque os mananciais foram e o mal não consentia que as nuvens dessem de beber E as fôrças inimigas eram de cento e vinte mil e o chefe de seus capitães, sanguinário e forte. Então a mulher mais bela entre os sitiados pediu ao Senhor que lhe aumentasse a beleza para que sua formosura fôsse a sua grande fôrça. - Dai-me fortaleza, Senhor, para o perder! - Dai-me formosura, Senhor, para o perder! - Dai-me Sabedoria, Senhor. para o perder! E depois se perfumou dos perfumes mais caros e entrançou os cabelos c vestiu-se com os vestidos de gal11, e calçou suas sandálias. e se ornou com jóias do feitio de açucenas; e a formosura que o Senhor acrescera era sabedoria e era fortaleza pois que é assim a formosura d':tle! E quando ela entrou na tenda para degolar o Chefe, antes de decapitá-lo em defesa do Espírito, a cabeça do Chefe estava perdida nêlc e era diante dela um troféu do Senhor!
NO TEMPO DOS REIS
PERTO no PALÁCIO do Rei existia a vinha de Nabot para tentar a cobiça do Rei . Perto do Palácio do Rei havia o banho da mulher de para tentar a luxúria do Rei.