Ajuda Mútua: Entre Nós VII Ajuda Mútua: Um Fator de Evolução: Tradução Literunico · Capítulo 65 de 86
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Ajuda Mútua: Entre Nós VII

A Suíça não é exceção na Europa, porque a mesma vida comunal persiste em muitas regiões da França. Apesar de todos os ataques feitos contra a independência das comunidades aldeãs, ao menos uma décima parte de todo o território apto ao cultivo, isto é, cerca de trinta e dois milhões de acres, incluindo quase metade dos prados naturais e quase a quinta parte das florestas do país, continua em posse comunal. Essas florestas fornecem aos comuneiros combustível, e a madeira de construção é derrubada quase sempre por trabalho comunal, com toda a regularidade desejável. A pastagem comunal conserva-se livre para o gado dos comuneiros.

O que resta das terras comunais, cerca de dois milhões e oitocentos mil hectares, é tudo que sobreviveu das pilhagens sucessivas. Mesmo reduzidas, essas terras prestam serviço considerável aos camponeses. Em duas comunas do departamento de Ariege, as quais Kropotkin conhecia de perto, os prados e campos comuns são tomados em posse por todos os comuneiros em turnos, e em muitas partes da França o trabalho comunal ainda é habitual. Canais de irrigação são abertos e conservados em comum, florestas são cortadas em comum, e trabalhos de porte pesado continuam a ser feitos pela aldeia inteira.

A ajuda mútua reaparece na França sob diversas formas. O charroi, isto é, o transporte comum de materiais e colheitas, conserva-se em muitos lugares. Na mesma região, quando é preciso erguer uma construção, todos os vizinhos ajudam. Pedras são retiradas em comum das pedreiras, madeira é preparada e trazida em comum, e todo o trabalho de construção é feito por auxílio coletivo, com a refeição festiva oferecida pelo dono da casa aos que trabalharam. O mesmo costume permanece quando alguém se muda para outra aldeia.

Essas práticas não são relíquias decorativas. São modos de organização que ainda respondem a necessidades reais da vida rural. Sempre que uma estrada, uma vala, um canal, um terraço, uma casa ou um celeiro exigem força maior que a de uma família isolada, reaparece a velha fórmula: a aldeia reúne braços, ferramentas e animais. O trabalho comum nasce de conveniência prática e, ao mesmo tempo, mantém relações de vizinhança sem as quais a aldeia não conseguiria sustentar sua vida diária.

Em muitas regiões, a memória do sistema comunal sobrevive no modo de resolver dificuldades. Quando uma família perde um animal, quando uma colheita ameaça perder-se por falta de braços, quando uma casa queima, quando um moinho ou uma fonte precisa de reparo, a aldeia se move por hábitos herdados de tempos muito antigos. A lei estatal pode ter reduzido a comunidade a quase nada, mas a vida cotidiana conserva usos que a lei não conseguiu arrancar.

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