Ajuda Mútua: Entre Nós XIII
Quando se examina a vida cotidiana das populações rurais da Europa, encontra-se, apesar de tudo que os Estados modernos fizeram para destruir a comunidade aldeã, uma vida camponesa ainda cheia de hábitos e costumes de ajuda e apoio mútuos. Restos importantes da posse comunal do solo continuam a existir, e logo que os obstáculos legais à associação rural foram retirados, uma rede de uniões livres para fins produtivos variados se espalhou rapidamente entre os camponeses. A tendência desse movimento jovem era reconstituir, sob formas novas, alguma união semelhante à antiga comunidade aldeã.
Depois dessas conclusões, Kropotkin passa a considerar quais instituições de apoio mútuo podiam ser encontradas entre as populações industriais de seu tempo. Durante os últimos trezentos anos, as condições para o crescimento dessas instituições foram tão desfavoráveis nas cidades quanto nas aldeias. Quando as cidades medievais foram submetidas, no século XVI, pelos Estados militares em ascensão, todas as instituições que mantinham artesãos, mestres e mercadores unidos nas guildas e nas comunas urbanas foram violentamente destruídas.
O autogoverno e a jurisdição própria da guilda e da cidade foram abolidos. O juramento de fidelidade entre irmãos de ofício passou a ser tratado como delito contra o Estado. Os bens das guildas foram confiscados, do mesmo modo que as terras das comunidades aldeãs, e a organização interna e técnica de cada ofício foi tomada pela autoridade estatal. Leis cada vez mais severas foram promulgadas para impedir que artesãos se combinassem de qualquer maneira.
Por algum tempo, algumas sombras das antigas guildas foram toleradas. Guildas de mercadores puderam existir com a condição de conceder subsídios generosos aos reis, e algumas guildas artesãs foram mantidas como órgãos de administração. Algumas delas continuavam arrastando uma existência vazia. Aquilo que fora a força vital da vida e da indústria medievais havia desaparecido sob o peso esmagador do Estado centralizado.
Desse ponto em diante, a ajuda mútua precisou avançar por caminhos estreitos e muitas vezes clandestinos. O trabalhador urbano já não encontrava diante de si uma guilda soberana, uma cidade capaz de proteger suas deliberações ou uma irmandade reconhecida como parte normal da vida pública. Encontrava a autoridade estatal, o patrão protegido por leis novas e o risco permanente de punição quando tentava recompor, em escala modesta, a antiga solidariedade dos ofícios.