Ajuda Mútua: Conclusão I Ajuda Mútua: Um Fator de Evolução: Tradução Literunico · Capítulo 85 de 86
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Ajuda Mútua: Conclusão I

A investigação conduzida por Kropotkin partiu das sociedades animais, passou pelos homens em estado selvagem, chegou às aldeias bárbaras, às cidades medievais e, por fim, às formas modernas de associação. Em cada etapa, a mesma conclusão voltou com força crescente. A ajuda mútua aparece como fator dominante da evolução, sempre que a vida alcança maior solidez, maior inteligência e formas duradouras de progresso. Nos grupos animais, a proteção comum permitiu às espécies enfrentar inimigos, fome e clima. As espécies pouco sociáveis, isoladas em hábitos estreitos, perderam terreno, empobreceram em número ou ficaram presas a formas de vida muito limitadas.

Entre os homens, a regra foi a mesma. As primeiras uniões de clãs e tribos, com seus costumes de defesa recíproca, sua justiça comum e suas formas coletivas de sustento, criaram as condições que tornaram possível a própria humanidade. A aldeia comunal, mais tarde, conservou esse fundo de cooperação em terras, florestas, campos, pastagens, festas, ritos e obrigações locais. A cidade medieval e a guilda ampliaram o mesmo princípio, levando-o ao trabalho, à arte, ao comércio, à aprendizagem e à proteção de cada ofício. Nesses arranjos, o indivíduo crescia porque encontrava ao redor de si uma rede de apoio, disciplina compartilhada, honra comum e responsabilidade perante seus iguais.

O Estado centralizado destruiu grande parte dessas instituições quando tomou para si as funções das guildas, das comunas e das comunidades locais. A experiência histórica mostrou, no entanto, que a autoridade estatal nunca conseguiu substituir a riqueza das relações diretas. Sempre que a vida social foi comprimida por cima, novas associações nasceram por baixo. Sociedades de ajuda, uniões de trabalhadores, cooperativas, entidades científicas, clubes, redes de socorro, associações de salvamento e esforços voluntários de todo tipo testemunham a persistência da mesma força. O instinto social recuou diante de leis e doutrinas hostis, depois reapareceu em formas ajustadas ao tempo moderno.

Existe, sem dúvida, outra corrente na história: a afirmação do indivíduo, do grupo, da ambição, da dominação e da luta por vantagens próprias. Kropotkin não a nega. Ao longo de séculos, no entanto, essa corrente recebeu atenção quase exclusiva dos historiadores, moralistas, homens de Estado e escritores. Guerras, conquistas, rivalidades dinásticas, competição entre classes, conflitos de mercado e disputas políticas foram narrados como se constituíssem o próprio centro da vida. A cooperação cotidiana, muito menos visível, ficou reduzida a pano de fundo, embora sustentasse a maior parte da existência real.

Uma história completa teria de estudar as duas correntes ao mesmo tempo. Teria de examinar a parte desempenhada pela afirmação pessoal e a parte desempenhada pelo apoio comum, sem transformar a violência em explicação universal. O objetivo de Kropotkin foi recuperar o fator esquecido. A ajuda mútua, quando observada em longa duração, revela-se indispensável para compreender tanto a sobrevivência quanto o progresso. Ela não aparece como ornamento moral acrescentado de fora à vida, e sim como condição interna de crescimento, aprendizagem e continuidade.

Medir com números a força relativa dessas duas correntes seria impossível. Uma guerra pode produzir, em poucos anos, males que persistem por séculos. Pode destruir hábitos de confiança, dispersar populações, arruinar ofícios, interromper escolas, empobrecer regiões e alimentar ódios herdados. Mesmo com essa dificuldade, a comparação histórica permite uma conclusão firme. No mundo animal, o progresso das espécies acompanha a sociabilidade. Entre os homens, os períodos de maior criação intelectual, artística, industrial e moral coincidem com formas intensas de vida associada.

O mesmo vale para os grupos que venceram em conflitos externos. Clãs, tribos, cidades e nações sustentaram sua força não por causa da ferocidade isolada de seus membros, e sim por causa da confiança interna, da disciplina comum, da capacidade de suportar perdas e da disposição para auxílio recíproco. Mesmo a guerra, quando vista com frieza, prova a importância da solidariedade dentro do grupo. Um exército sem confiança entre seus integrantes se desfaz, enquanto uma população capaz de alimentar, cuidar, reparar, ensinar e reconstruir possui reservas muito mais profundas que a pura agressão.

Quando a ajuda mútua toma formas duradouras, ela cria as condições de florescimento. A cidade grega antiga e a cidade medieval oferecem exemplos fortes. Nelas, a união entre cidadãos, artesãos, vizinhos, aprendizes, mercadores e companheiros de ofício sustentou a produção de obras que ainda impressionam pelo vigor. Arquitetura, pintura, artes mecânicas, pensamento, autonomia urbana, instituições de ensino e invenções práticas não nasceram do isolamento competitivo. Nasceram de contatos contínuos, responsabilidade coletiva, transmissão paciente de saberes e orgulho partilhado no trabalho bem realizado.

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