Ajuda Mútua: Entre Nós IX Ajuda Mútua: Um Fator de Evolução: Tradução Literunico · Capítulo 67 de 86
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Ajuda Mútua: Entre Nós IX

Nos últimos anos do século XIX, uma nova forma de associação rural começou a crescer rapidamente na França: os sindicatos agrícolas. A lei de 1884 permitiu associações de mais de dezenove pessoas, e bastaram poucos anos para que essas uniões se multiplicassem com vigor notável. Em 1888 havia pouco mais de quatrocentas associações desse tipo, com cerca de setenta mil membros. Em 1890, eram quase mil sindicatos, com centenas de milhares de associados, e o movimento continuava a crescer.

Esses sindicatos foram formados para comprar adubos, sementes, ferramentas e máquinas por preços menores, para vender produtos em condições melhores, para organizar seguros mútuos, para defender interesses comuns e para introduzir métodos mais racionais de cultivo. Alguns eram compostos apenas por proprietários, outros reuniam também arrendatários e trabalhadores rurais. Sua importância maior estava no fato de devolver aos camponeses o hábito de agir em comum, depois de tantos séculos de ataque às formas antigas de vida comunal.

O mesmo movimento aparecia em cooperativas de laticínios, associações de irrigação, seguros contra incêndio, compras coletivas de máquinas e formas variadas de crédito rural. Em muitos casos, essas associações nasciam sem teoria social declarada. Vinham de necessidades práticas e, exatamente por isso, revelavam a força persistente da ajuda mútua. Quando o camponês percebia que sozinho comprava caro, vendia mal e ficava indefeso diante de acidente ou dívida, a associação reaparecia como resposta natural.

Na Alemanha, a propriedade comunal também conservava importância considerável. Em muitas regiões, florestas, pastagens e campos permaneciam ligados às comunas, e as velhas práticas de exploração comum não haviam desaparecido. O Estado prussiano e outros governos haviam tentado reduzir a autonomia aldeã, embora as comunas continuassem a administrar bens, estradas, águas, florestas e escolas. Em alguns lugares, as assembleias locais conservavam peso real, mesmo cercadas por legislação estatal.

A Alemanha oferecia ainda exemplos poderosos de cooperação agrícola moderna. Associações de crédito, cooperativas de compra, sociedades leiteiras e seguros mútuos espalhavam-se entre os camponeses, muitas vezes apoiadas por tradições locais de trabalho comum. A forma exterior podia ser nova, com estatutos, caixas e contabilidade regular, mas a substância social era antiga: homens submetidos às mesmas dificuldades descobriam que só podiam resistir a intermediários, usurários e acidentes por meio de união permanente.

Kropotkin via nesses fatos uma prova decisiva. As velhas comunidades não haviam desaparecido por incapacidade interna. Tinham sido saqueadas, cerceadas e desorganizadas por séculos de política estatal. Quando as condições materiais do campo moderno obrigavam os homens a buscar defesa contra o mercado, contra o crédito caro, contra riscos de colheita e contra a fraqueza individual diante do comerciante, o mesmo princípio reaparecia. Mudavam os nomes e os instrumentos jurídicos, permanecia a necessidade profunda de apoio mútuo.

Essa continuidade também ajudava a explicar por que a aldeia europeia, mesmo empobrecida, resistira tanto. Na França, na Alemanha, na Suíça e em outros países, a vida rural não era feita apenas de contratos individuais e ordens vindas do alto. Ela conservava direitos de uso, costumes de auxílio, trabalhos coletivos, associações práticas e uma memória tenaz de autogoverno. Cada uma dessas formas parecia modesta quando observada isoladamente, mas em conjunto revelava a persistência de uma força social que os Estados modernos não conseguiram extinguir.

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