O Esquife
Como é ligeiro o esquife perfumado
Que conduz o teu corpo, ó flor mimosa!
Mal pousaste entre nós, alma saudosa,
Pouco adejaste, ó querubim nevado!
E vás descendo ao túmulo sagrado,
Igual à incauta e leve mariposa
Que sem sentir queimou a asa ansiosa
Do mundo vil no fogo profanado.
Mas eu, que acabo de te ver perdida
Nos abismos sem fim da Natureza,
Ó minha filha! ó terna flor caída.
Eu, que perdi contigo a fortaleza,
As ilusões, o gozo, a crença e a vida,
Ah! eu bem sei quanto esse esquife pesa!