Vênus de Milo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 43 de 159
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Vênus de Milo

Vênus sem braços! Divinal grandeza!

Abençoada seja a mão calosa,

Que te arrancou à entranha criminosa

Da terra e deu-te a eterna Realeza!

Dir-se-ia, ó Deus! que a avara Natureza

Enterrando-a no seio misteriosa

Ocultava-a dos homens — invejosa

Desse prodígio enorme de beleza.

Não há flama no sol, flama tão bela

Como o raio daquele olhar gelado

Que aclara a Arte em meio da procela:

E o mundo inteiro prostra-se pasmado,

Roja-lhe aos pés marmóreos, — e vê nela

Um sorriso de Deus petrificado.

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