Vênus de Milo
Vênus sem braços! Divinal grandeza!
Abençoada seja a mão calosa,
Que te arrancou à entranha criminosa
Da terra e deu-te a eterna Realeza!
Dir-se-ia, ó Deus! que a avara Natureza
Enterrando-a no seio misteriosa
Ocultava-a dos homens — invejosa
Desse prodígio enorme de beleza.
Não há flama no sol, flama tão bela
Como o raio daquele olhar gelado
Que aclara a Arte em meio da procela:
E o mundo inteiro prostra-se pasmado,
Roja-lhe aos pés marmóreos, — e vê nela
Um sorriso de Deus petrificado.