A Avó Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 19 de 159
Obra Menu

A Avó

Ao noturno clarão da lâmpada obscura,

A avó, terna, sorri, de pálpebras cerradas,

Enquanto pelo ar voam as gargalhadas

Duma rósea criança, ardente de ventura.

E ela, ao gentil rumor daquela travessura,

Cuida ouvir, como um eco, ao longe, outras risadas:

Mas o seu pensamento cai, de asas quebradas,

Sobre a cruz de uma negra e fria sepultura;

Sufocada de dor, — abaixa a fronte e chora...

O menino a tremer beija-a e, num gesto, a implora:

E a avó, ao deslizar do pranto que a conforta,

Prende nas magras mãos o risonho inocente,

E, como num espelho azul e transparente,

Vê nesse puro olhar sorrir-lhe a filha morta.

1/1
Menu

Fazer anotação