Hora de Amor
Reunimo-nos todos no terraço:
A fria lua sobre nós pairava;
Rescendendo a baunilha, — suspirava
A aragem, quente ainda do mormaço.
E Ela pousou o alabastrino braço
Nu sobre o mármor. Seu olhar brilhava
Como a opala ao luar, — e procurava
Os mudos olhos meus, de espaço a espaço.
Uma orquestra, invisível e saudosa,
Cuja harmonia os ecos repetiam,
Lançava à noite os ais de Cimarosa:
E, quando os mais a música aplaudiam,
Eu, ó madona minha silenciosa,
Ouvia o que os teus olhos me diziam.