Hora de Amor Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 21 de 159
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Hora de Amor

Reunimo-nos todos no terraço:

A fria lua sobre nós pairava;

Rescendendo a baunilha, — suspirava

A aragem, quente ainda do mormaço.

E Ela pousou o alabastrino braço

Nu sobre o mármor. Seu olhar brilhava

Como a opala ao luar, — e procurava

Os mudos olhos meus, de espaço a espaço.

Uma orquestra, invisível e saudosa,

Cuja harmonia os ecos repetiam,

Lançava à noite os ais de Cimarosa:

E, quando os mais a música aplaudiam,

Eu, ó madona minha silenciosa,

Ouvia o que os teus olhos me diziam.

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