A Bordo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 59 de 159
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A Bordo

À noite a bordo quando tudo dorme

Aos rumores do hélice plangente,

Quando o homem do leme unicamente

E os faróis vão guiando o barco enorme,

Eu subo ao tombadilho... À noite pura

Entrego a fronte: — às nuvens luminosas

Conto as minhas saudades dolorosas;

E é para mim uma ideal ventura

Curvar-me sobre o abismo fumegante,

Rico de maravilhas ignoradas,

Vê-lo a meus pés rugir como um gigante,

Sentir do vento as asas espalmadas,

E beber como um néctar delirante

A embriaguez das ondas estreladas.

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