A Bordo
À noite a bordo quando tudo dorme
Aos rumores do hélice plangente,
Quando o homem do leme unicamente
E os faróis vão guiando o barco enorme,
Eu subo ao tombadilho... À noite pura
Entrego a fronte: — às nuvens luminosas
Conto as minhas saudades dolorosas;
E é para mim uma ideal ventura
Curvar-me sobre o abismo fumegante,
Rico de maravilhas ignoradas,
Vê-lo a meus pés rugir como um gigante,
Sentir do vento as asas espalmadas,
E beber como um néctar delirante
A embriaguez das ondas estreladas.