A Voz das árvores
Enquanto os meus olhares flutuavam,
Seguindo os voos da erradia mente,
Sob a odorosa cúpula fremente
Dos bosques — onde os ventos sussurravam,
Ouvi falar. As arvores falavam:
A secular mangueira fielmente
Repetia-me a rir o idílio ardente
Que dois noivos, à tarde, lhe contavam;
A palmeira narrava-me a inocência
De um brando e mútuo amor, — sonho que veste
Dos loiros anos a feliz demência;
Ouvi o cedro, — o coqueiral agreste,
Mas excedia a todas a eloquência
Duma que não falava: — era o cipreste.