A Voz das árvores Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 12 de 159
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A Voz das árvores

Enquanto os meus olhares flutuavam,

Seguindo os voos da erradia mente,

Sob a odorosa cúpula fremente

Dos bosques — onde os ventos sussurravam,

Ouvi falar. As arvores falavam:

A secular mangueira fielmente

Repetia-me a rir o idílio ardente

Que dois noivos, à tarde, lhe contavam;

A palmeira narrava-me a inocência

De um brando e mútuo amor, — sonho que veste

Dos loiros anos a feliz demência;

Ouvi o cedro, — o coqueiral agreste,

Mas excedia a todas a eloquência

Duma que não falava: — era o cipreste.

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