A Escrava
Enquanto os outros negros companheiros
Bailam em frente à lúgubre senzala,
E da fausta vivenda a rica sala
Percorre a dança em giros feiticeiros;
Enquanto a noite com seus ais fagueiros
Como um segredo tropical se exala,
E a quente aragem que a palmeira embala,
Treme na leve rama dos coqueiros;
Enquanto a festa vívida, inclemente,
Louca de febre e graças soberanas,
Prende o senhor e o escravo juntamente:
Ela, fugindo às emoções tiranas,
Recorda tristemente, tristemente,
A solidão das noites africanas.