Nera - I
Aos sinistros clarões de Roma que se abisma,
Nero tange feliz a lira e canta e cisma...
A Cidade convulsa é como um rubro oceano
Que rastejando lambe a púrpura ao tirano.
O tugúrio desaba, o monumento arde,
E alegre soa a voz do imperial covarde.
O Tibre espavorido encolhe as águas turvas
E foge como a serpe em rutilantes curvas.
O escravo moribundo ergue os braços trementes
Tentando espedaçar do pulso as vis correntes;
E, através desse horror, dessa infernal ruína
Suspira a mole voz do filho de Agripina.