A Noiva
Eu não senti essa cruel vertigem
Que abrasa o sangue ante a mulher amada,
Senti cobrir-me o albor da madrugada
Quando me olhaste e me sorriste, ó virgem!
Eu não senti a tentação que encanta
E faz crescer o rol dos pecadores,
Senti minha alma se alastrar de flores
Quando a teus pés me permitiste, ó santa!
E soube enfim quanto se exulta e goza,
E como Deus enroupa uma alma nua,
Ó prometida e desejada esposa,
Quando entre os véus em que o amor flutua,
Tu me disseste cândida, medrosa,
Toda banhada de rubor: “sou tua”.
No Álbum de Stanislao D’Atri,