Satanás Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 144 de 159
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Satanás

Quando Satã, o Arcanjo fulminado,

Pelas divinas mãos, a criatura

Obra de Deus — encarcerar procura

Entre as brônzeas muralhas do Pecado,

Explora o mundo inteiro disfarçado:

É o Ódio, a Guerra, é a Avareza impura,

A Luxúria venal, a torva e escura

Vingança... E sempre, sempre transformado,

A raça humana, estólida e ignorante,

Lança aos martírios dum cruel tormento

Mais pavoroso que as visões do Dante.

Ah! quando chega a minha vez intento

Salvar-me — Em vão! — O infame nesse instante

É mais atroz ainda: — é o Pensamento.

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