Idade Média
No seu terraço a pálida rainha
Aos clarões melancólicos do dia
Que transmontava — olhava os céus e ria
Seguindo o voo azul de uma andorinha.
E o rei lhe disse: — Por que ris sozinha?
Quero saber a causa da alegria
Que te ilumina a palidez sombria:
Em que pensas, ó triste escrava minha?
E sempre a rir como a orvalhada rosa
Quando desponta a aurora luminosa,
Responde ao rei a pálida rainha:
— Penso que um dia nos azuis espaços,
Livre afinal do mundo e dos teus braços,
Minha alma voará como a andorinha.