Contraste Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 100 de 159
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É meia noite. O hino funerário

Das doze angústias voa doloroso

Entre os raios da lua, e majestoso

Rodeia a cruz do velho campanário.

Tudo é silente. O espectro solitário

Do remorso e do amor paira onduloso

Nas mudas trevas, — arrastando um gozo,

Ou as medonhas fímbrias de um sudário.

Mas o Poeta, erguendo a fronte ousada,

Faiscante de límpida alegria

E de virentes ilusões ornada,

Ouve a sorrir a lúgubre elegia,

Pois em sua alma ardente e deslumbrada

Jorra em ondas de luz: — é meio dia!

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