O Sono de um anjo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 4 de 159
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O Sono de um anjo

Quando ela dorme como dorme a estrela

Nos vapores da tímida alvorada,

E a sua doce fronte extasiada

Mais perfeita que um lírio, e tão singela,

Tão serena, tão lúcida, tão bela

Como dos anjos a cabeça amada,

Repousa na cambraia perfumada,

Eu velo absorto o casto sono dela.

E rogo a Deus, enquanto a estrela brilha,

Deus que protege a planta e a flor obscura

E nos indica do futuro a trilha,

Deus, por quem toda a Criação se humilha,

Que tenha pena dessa criatura,

Desse botão de flor — que é minha filha.

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