Idílio Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 30 de 159
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Idílio

Ao pé da cerca elevada,

Meu cavalo impaciente

Agita a crina orvalhada...

No entanto, amorosamente,

Eu e ela caminhando

Sobre a folha adormecida,

Vamos cismando, cismando,

Como Fausto e Margarida.

Do seu cabelo abundante

O vago e sentido aroma,

Igual ao cheiro hesitante

Dos lírios duma redoma,

Lentamente me fascina,

E eu beijo essa trança preta,

Qual pousam sobre a bonina

As asas da borboleta.

A noite, branca e macia,

Cai silenciosamente:

Mais claro que o claro dia,

Boia o luar no oriente.

Tudo nos causa quebrantos

E emoções vertiginosas,

A flor, os astros, os prantos

Das fontes misteriosas;

As lucíolas fulgentes

Na sombra azul do arvoredo,

E as mornas brisas plangentes

Que passam como um segredo.

Por vezes, a sua fronte

Sobre o meu peito descansa

Como a estrela no horizonte,

Ou como a vaga, em bonança.

A tremer... por quê? Ficamos

Estreitamente abraçados,

Na hora em que os curvos ramos

Dos largos bosques copados,

Vão, pouco a pouco, luzindo

Do dia ao primeiro encanto,

E as plantas movem sorrindo

O tenro caule... Entretanto

Ao pé da cerca elevada,

Meu cavalo impaciente

Escarva a grama orvalhada...

E a lua cai no poente.

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