Idílio
Ao pé da cerca elevada,
Meu cavalo impaciente
Agita a crina orvalhada...
No entanto, amorosamente,
Eu e ela caminhando
Sobre a folha adormecida,
Vamos cismando, cismando,
Como Fausto e Margarida.
Do seu cabelo abundante
O vago e sentido aroma,
Igual ao cheiro hesitante
Dos lírios duma redoma,
Lentamente me fascina,
E eu beijo essa trança preta,
Qual pousam sobre a bonina
As asas da borboleta.
A noite, branca e macia,
Cai silenciosamente:
Mais claro que o claro dia,
Boia o luar no oriente.
Tudo nos causa quebrantos
E emoções vertiginosas,
A flor, os astros, os prantos
Das fontes misteriosas;
As lucíolas fulgentes
Na sombra azul do arvoredo,
E as mornas brisas plangentes
Que passam como um segredo.
Por vezes, a sua fronte
Sobre o meu peito descansa
Como a estrela no horizonte,
Ou como a vaga, em bonança.
A tremer... por quê? Ficamos
Estreitamente abraçados,
Na hora em que os curvos ramos
Dos largos bosques copados,
Vão, pouco a pouco, luzindo
Do dia ao primeiro encanto,
E as plantas movem sorrindo
O tenro caule... Entretanto
Ao pé da cerca elevada,
Meu cavalo impaciente
Escarva a grama orvalhada...
E a lua cai no poente.