A um Milionário Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 136 de 159
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A um Milionário

Dizes que és grande, que és onipotente,

Que ao teu fulgor a própria natureza

Pasma e recua, — e é tal tua grandeza

Que abala os céus e a terra juntamente.

Dizes que podes com teu oiro absurdo

Lutar com Deus, opor-te à Divindade,

E até, sem a menor dificuldade,

Dar voz ao morto e dar ouvido ao surdo.

Ora, se queres ver-me, humilde e terno,

Ante essa força monetária e vasta,

Esse poder que afronta céus e inferno,

Que algema os homens, que o universo arrasta,

Compra uma coisa, ó Júpiter moderno,

Compra um raio de sol —: é quanto basta.

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