A um Milionário
Dizes que és grande, que és onipotente,
Que ao teu fulgor a própria natureza
Pasma e recua, — e é tal tua grandeza
Que abala os céus e a terra juntamente.
Dizes que podes com teu oiro absurdo
Lutar com Deus, opor-te à Divindade,
E até, sem a menor dificuldade,
Dar voz ao morto e dar ouvido ao surdo.
Ora, se queres ver-me, humilde e terno,
Ante essa força monetária e vasta,
Esse poder que afronta céus e inferno,
Que algema os homens, que o universo arrasta,
Compra uma coisa, ó Júpiter moderno,
Compra um raio de sol —: é quanto basta.