Os Olhos de Clemência Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 110 de 159
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Os Olhos de Clemência

Os olhos dela, os olhos de Clemência

São como o infindo azul resplandecente:

Olhos em cuja luz misticamente

Desponta a estrela d’alva da inocência.

Nada perturba a calma transparência

Desse infantil olhar terno e dormente,

Onde se estampa ainda fielmente

Do Divino cuidado a paciência.

Deixa que eu cante, ó anjo, a formosura

Do teu olhar dulcíssimo: — entretanto

Cedo virá a hora ingrata e escura

Em que outra voz apregoará o encanto

Dos olhos teus, queimados de amargura,

De amor, de febre e de insensato pranto.

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