Sorrento Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 146 de 159
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Sorrento

Nós chegamos à tarde... Em mole eflúvio

A tênue brisa, lânguida e cansada,

Cerzia as ondas da dormente enseada;

À nossa frente erguia-se o Vesúvio.

Entre as águas suspenso e o firmamento,

Perdia o sol os últimos fulgores,

Riam, cantando ao longe, os pescadores

E as poéticas filhas de Sorrento.

Lépida a vaga, esmeraldina e bela,

Vinha roçar-te os pés — branda, discreta

Como a nuvem que roça numa estrela...

Presa a uma dor incógnita e secreta

Pensavas tu talvez em Graziela...

E eu invejava a sorte do Poeta.

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